7 Pecados Mortais – GULA

Colocado por Vasco Catarino Soares em abril 17, 2009

cioutVou aqui postar uma série de 7 crónicas (7 Pecados Mortais) que me foram solicitadas (2005/2006) pela, Portuguesa, Revista ClickIn (Revista Feminina).

Na altura pediram-me para não imprimir um cunho demasiado científico às crónicas. Resolvi, não só retirar a tal cientificidade, como dotar as crónicas de cunho descontraido (por vezes demasiado). Na época tiveram o seu sucesso.

Sem mais delongas aqui vão elas. Uma de cada vez.

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15 de OUTUBRO 2005

É um dos sete pecados mortais. E é o primeiro que vamos aqui revisitar. Com o fim do Verão aí próximo, as dietas – a antítese da Gula – deixam de ser uma grande preocupação e declara-se a época oficial das comezainas e empanturranços (desde o fim do Verão até às festas natalícias). Faz sentido. Como diria São Belarmino de Pádua. “Depois da seca vem a chuva” (É pá! Isto também é pecado. Evocar o nome de um santo para propósitos pouco sérios. Bem… O tipo também não é santo e a citação também não é nada de especial).

Gula - Por Ruben Andrade

Foto: Ruben Andrade :: Modelo Fátima Joaquim

Alegrai-vos! Agora é que é! Estamos na altura certa e o pecado até não é dos mais difíceis de cometer. Para encher o “bandulho” basta abrir a boca, desobstruir a garganta com um copázio de vinho e deixar entrar a guarnição. Simples, não é! É certo que também ajuda termos sido, desde pequenos, aculturados no exagero gastronómico. Quem não se lembra da música que introduzia os desenhos animados de ” Jackie, o urso do Talak”! Que fluía num (Jackie, Jackie, corre mundo. Como é bom ser livre e feliz lá no fundo. Jackie, Jackie, come fruta, com a barriga cheia está mais contente).

Confundindo o conceito de liberdade com a posse de uma pança inchada. Ou um ainda mais famoso “Eu vi um sapo (…) Estava a papar um bom jantar. Tudo comeu, nem ofereceu. Tu viste um sapo a encher o papo?” Ainda para mais promove o egoísmo e o olho grande. Quer exemplos internacionais? Dou-vos na mesma. Em Las Vegas, Nevada, um conhecido restaurante de hambúrgueres (um que tem como mascote um palhaço com nome de futebolista da selecção portuguesa) oferecia refeições aos estudantes que apresentassem no boletim de notas um 5 (nota máxima). Mensagem implícita: “estuda para alimentares a tua Gula: és bom aluno torna-te glutão.” A situação da Gula complica-se quando a comida é de má qualidade: com demasiada gordura e alto teor de sódio. Um desconhecido gastrónomo – já nem me lembro quem – disse-me um dia que era o equivalente a uns 50 raios X ao tórax: tóxico. Ao menos os raios X não são pecado. Mas, pasme-se, segundo um site católico norte-americano, a intemperança e abusar de medicamentos (uma espécie de Gula farmacológica) já o são. No entanto, são apenas considerados pecados veniais. Coisa pouca no mundo do pecado. Nem sequer é necessário ser confessado. O que já é mais grave que a Gula farmacológica, ou seja, pecado mortal, de acordo com o mesmo site, é, por exemplo, “apanhar” uma bebedeira completa (desconhecia as incompletas, confesso) ou o uso excessivo de piercings e tatuagens (dramático para a malta do Jambé e motards).

setepecados23Ponto de Reflexão: não confundir a Gula farmacológica com a Gula da Indústria Farmacêutica, sendo esta última de um tipo mais voraz (género banquete medieval: comer com as mãos, vinhaça a escorrer pelos cantos da boca, palmadas no rabo da empregada…). Se esta tivesse mãe diríamos que a tragava de um só sorvo.
Vellluuuurrrrp!

Como em tudo o que é vício há sempre “a continha”: além de um expressivo alargamento abdominal, uma magnífica (des)agradável estadia no Inferno (ver em a “Divina Comédia” de Dante).
Também não é necessário ir a correr ao frigorífico e despejar o seu conteúdo, pois há os que comem (e até pode ser muitos) para compensar carências pessoais; um trabalho pouco estimulante; vida familiar decepcionante; vida social nula ou até mesmo um corpo a nutrir. E comer depois de dois dias em jejum? Será que dá? Dá! Dá! Dá! (antiga música erótico-pirosa, que tinha uma versão portuguesa: “queres tu e quero Eu. Hum. Hum. Dá! Dá! Dá!”).

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Fotografias cedidas por Ruben Andrade

Sobre o FOTÓGRAFO -> http://olhares.aeiou.pt/anjinho

Sobre a MODELO -> http://olhares.aeiou.pt/fj

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Este é o site Oficial de Vasco Catarino Soares. Psicólogo, Neuropsicólogo e Psicoterapeuta. O Dr. Vasco Catarino Soares é colaborador e entrevistado frequente em diversos meios de Comunicação Social e irá partilhar com todos os interessados essas suas colaborações. A sua experiência como psicoterapeuta facultou-lhe um seguro conhecimento dos mecanismos emocionais e comportamentais do ser humano. É esse conhecimento que vai aqui expor e partilhar com todos vós.

VASCO CATARINO SOARES ESCREVEU 46 ARTIGOS.

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Comentários (5)

 

  1. promao disse:

    Ah, a Gula. Exemplos cantados há muitos, não sei como não te lembraste do “Sebastião come tudo, come tudo sem parar”.
    Mas acho que temos de ponderar a gula (pecado) com a temperança (virtude). Gula não é não gostar, é gostar e comer moderadamente, acho eu.
    Já agora não me parece que deva ser um pecado capital, aliás quando se diz de alguém que é um guloso/gulosa até tem uma conotação pouco negativa,,,

  2. I think I will try to recommend this post to my friends and family, cuz it’s really helpful.

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