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Sete etapas para derrotar as birras do seu filho :: Entrevista Jornal i

Colocado por Vasco Catarino Soares em July 2, 2010  |  0 Comentários

Uma entrevista exclusiva a Vasco Catarino Soares para o Jornal i:

O psicoterapeuta Vasco Catarino Soares dá algumas pistas sobre como superar as birras quando estas já estão em fase mais avançada. Começar cedo a criar hábitos é a primeira etapa para evitar as teimas frequentes. A disciplina é importante, desde que aplicada com justiça e tendo em conta a fase de desenvolvimento da criança. No entanto, as regras só fazem sentido quando a relação é marcada pela afectividade. Amar, brincar e valorizar são as três premissas que todos os pais devem utilizar na sua relação com os filhos. E chantagear ou ameaçar a criança é o comportamento a evitar.

1.º passo Primeiro é preciso tempo. A criança precisa do confronto com o adulto para conhecer os seus limites e saber lidar com a frustração de não ter tudo aquilo que quer. E estas duas aquisições (resultantes das birras e do modo como são geridas) vão ser muito importantes para o seu desenvolvimento pessoal.

2.º passo É preciso fazer uma selecção das birras. A criança deve poder ganhar pequenas batalhas, como, por exemplo, escolher o livro que os pais lhe vão ler antes de ir para a cama ou comer uma banana em vez de morangos. Os educadores podem aceitar esse tipo de recusas ao mesmo tempo que procuram estimular a criança a argumentar sobre as razões da discórdia. Em contrapartida, há que ser firme face a tudo o que a ponha em perigo (andar de carro sem cadeirinha, mexer na gaveta dos talheres), que a prejudique (deitar-se tarde, comer demasiados doces ou usar sandálias no Inverno), e que a faça sentir-se a dona dos pais e da casa (dar pontapés à mãe durante a birra, exigir brinquedos, etc.).

3.º passo Não entrar em grandes explicações morais sobre a razão por que a criança não pode fazer o que quer, nem apelar aos seus sentimentos. Recorrer à frases como “olha que a mãe fica triste? só enerva mais a criança e dá-lhe mais espaço para aumentar a birra. O sentimento de culpa (sem razão) não desarma a génese do capricho e prejudica a formação do amor-próprio.

4.º passo Não ceder a meio de uma birra. Se os pais concluem que não devem fazer a vontade, não devem desistir, mas nunca confundir rigidez com agressividade. Os educadores podem até concluir mais tarde que deviam ter cedido, mas têm a possibilidade de o fazer numa próxima ocasião. Alterar as regras a meio da birra provoca uma grande ambivalência e dificulta à criança a apreensão das regras e dos limites.

5.º passo É igualmente importante demonstrar à criança que pode chorar (até faz bem), queixar-se e procurar consolo no seu colo ou com a ajuda de algum objecto de conforto. É fundamental que os adultos ajudem as crianças a acalmar–se. Não usar o choro para as diminuir: “És um mariquinhas” ou “olha o bebé chorão” são comentários desnecessários, que humilham o seu filho. O que se pretende é que a criança vá deixando de fazer birras. Com tempo e persistência, obtêm-se resultados.

6.º passo Depois de os ânimos serenarem, a criança deve ser valorizada por ter conseguido acalmar-se sem o seu desejo ter sido satisfeito.

7.º passo Nas birras em contexto escolar é fundamental que pais e educadores estejam de acordo. Em caso algum devem entrar em desacordo em frente da criança, pois esta vai tirar partido destas diferenças. Em situações extremas, em que os pais tenham a sensação de que já não controlam a situação, não hesitar em procurar apoio profissional.

Veja aqui o artigo na edição jornal i online Sete etapas para derrotar as birras do seu filho.

Vasco Catarino Soares no programa “Mundo das mulheres” SIC Mulher.

Colocado por Vasco Catarino Soares em May 22, 2010  |  0 Comentários

Vasco Catarino Soares no programa “Mundo das mulheres” SIC Mulher.

No dia da mentira (1 de Abril de 2010) desenvolveu-se o tema da possibilidade de se entenderem os sináis exteriorizados (estudados pela psicologia) por quem mente. Bastam estes sinais? Ou será preciso interpretar mais variáveis?

Defendo que não bastam pequenos sinais de exteriorização para garantir uma boa avaliação. Torna-se necessário complementar a nossa análise com outros dados sobre o nosso interlocutor: modo habitual de comunicar; como se tem manifestado no passado recente; razões e lógica que poderiam motivar a mentira (aqui especial cuidado, pois as razões nem sempre são lógicas); tiques do interlucutor que possam ser confundidos com sinais típicos da mentira e…

Pessoalmente foi um prazer ter participado neste programa. Apresentadora (Adelaide Sousa) e restantes convidados (Isabel Stilwell e Moita Flores) proporcionaram um programa bastante agradável.

Fica a aqui o video:

DEPRESSÃO PÓS PARTO: MITO OU REALIDADE? (3ª Parte)

Colocado por Vasco Catarino Soares em May 5, 2010  |  1 Comentário

Depresssão Pós Parto

A genuína Depressão Pós Parto, apesar de menos frequente, pode ocorrer logo após o nascimento do bebé e ter uma duração longa e imprevisível. E, ao contrário do que frequentemente é divulgado, não é normalmente causada por desequilíbrios hormonais. Só com uma visão muito redutora e pouco científica se poderia achar que um estado de Depressão desta envergadura, que é caracterizado por pensamentos pessimistas, tristeza profunda, falta de confiança nas próprias capacidades, falta de animo para cuidar do próprio bebé, dependeria de uma mera questão de hormonais.

A Depressão é caracterizada por um estado mais ou menos exagerado de desmotivação, actividade diminuída, pensamentos pessimistas em relação a si própria e ao meio circundante e ao futuro. Esta Depressão de maior profundidade, precisa de um longo historial de vida que a justifique. Ela não nasce do nada e num só momento. E a realidade é que ela só é observada em mulheres que, mesmo sem terem sofrido de Depressão anteriormente, já tem uma construção de personalidade fragilizada e por isso mais propensas a estados depressivos.

As causas que levam à Depressão não são imediatas, isto é, vão se desenvolvendo ao longo da vida e dependem das experiências (mais penalizantes) de vida da pessoa (desde a infância), do ambiente familiar (é um ambiente que promove a autonomia e o bem-estar? Ou é um ambiente castrador e emocionalmente frio?). Desta forma, todos os acontecimentos exteriores, sejam eles quais forem, apenas desencadeiam o acentuar de estados pré-depressivos que já fazem parte da pessoa, ou melhor, da forma como se foi estruturando ao longo da vida.

Em termos reais, as pessoas acabam por acreditar que a Depressão foi algo que lhes aconteceu naquele momento, e que foi determinada por algo exterior, como por exemplo um problema hormonal.

Ainda existe muito folclore e mitologia em redor do que é a Depressão. Mas uma coisa é certa: ela não algo que se apanha de um momento para o outro e não é causada por um só acontecimento. Surge como consequência de acontecimentos vários e ao longo da fase de desenvolvimento e formação da personalidade (infância e adolescência).

Se esta recém-mamã já for uma pessoa algo fragilizada porque no seu historial de vida a sua educação ocorreu de tal modo que não lhe permitiu construir-se com uma imagem de solidez e força perante a adversidade (sentir-se uma pessoas insegura de si e das suas capacidades), quando chega à altura de ser mãe, o que implica grande responsabilidade, irá sentir-se incapaz, e aí invoca a resposta que acredita ser a única possível. A postura Depressiva. A postura de quem não é capaz e assim fica-se num estado de desanimo e inactividade.

Tudo isto se passa a um nível inconsciente, do não pensado ou racional. Estas mulheres não escolhem ter esta atitude, não é má vontade, como alguns acham. Estas mamãs não tem é os recursos necessários para que reajam de outra forma. E por isso se diz que estão com uma Depressão pós parto, que é real e incapacitante. Se pudessem escolher de certeza que escolheriam estar bem e confiantes, e felizes com o seu bebé.

Agora juntemos a esta propensão (que foi sendo desenvolvida ao longo da vida e não genética) todos os receios e dúvidas que normalmente surgem na mente da recém mãe (capacidade para cuidar do bebé, ser uma boa mãe, ser capaz de manter a relação com o pai da criança, sentimento de falta de apoio…). Neste caso, tornam-se muito mais difíceis de suportar, porque são acrescidos de um sentimento de incapacidade e desvalia muito profundos e enraizados e, por isso, mais difíceis de dissipar. E temos, deste modo, instalado um quadro depressivo profundo, com consequências na relação da mãe com o bebé. Esta não é qualitativamente a mesma que poderia ter sido caso a mãe estivesse mentalmente disponível e feliz.

Por isso defendemos que a Depressão pós parto não é um capricho. Ela é realmente um drama para quem a vive. E nós (psicólogos, médicos, família, pai da criança) só temos que mover as nossas capacidades para ajudar.

-O que fazer?

Além, do suporte que sempre recomedamos à família e pessoas próximas, é igualmente necessário procurar ajuda profissional. A forma mais eficaz de se conseguir ganhar força [estima pessoal] para se enfrentar os acontecimentos, que levaram a reagir depressivamente, e com possibilidade de os ultrapassar é a terapia psicológica (psicoterapia). Não oferece soluções mágicas (um comprimido que faz desaparecer as dificuldades da vida). A Psicoterapia explora as razões de ordem emocional que causam a perturbação. Tem como objectivo devolver a capacidade de se reconstruir de modo emocionalmente saudável. É um processo terapêutico profundo e relativamente demorado. Todavia, com resultados mais consistentes. A terapêutica com medicamentos anula os sintomas por substituição ou compensação neuro-química-cerebral. No entanto, revela-se insuficiente, pois não trata as razões emocionais profundas, permanecendo, essas, intactas e prontas a actuar assim que termina a acção do medicamento.

A forma saudável de estar na vida passa por não esperar que tudo corra bem. É ter capacidade para suportar as coisas negativas que a vida nos trás (porque vão sempre existir coisas negativas), mas depois tentar resolvê-las e continuar em frente. A psicoterapia ajuda as pessoas a ganharem esta capacidade de enfrentar a realidade e criar estratégias para resolver os seus problemas. Ou melhor, desbloquearem em si esta capacidade que foi sendo inibida e amordaçada ao longo de anos (Depressão).

Veja também:

1ª Parte >>

2ª Parte >>

Depressão Pós-Parto: Mito ou Realidade? (2ª Parte)

Colocado por Vasco Catarino Soares em May 4, 2010  |  2 Comentários

Depresssão reactiva ligeira: “Baby Blue”

O “Baby Blue”, terminologia utilizada precisamente para caracterizar um estado ligeiro de postura depressiva, ocorre como consequência de todas as mudanças operadas pela gravidez e nascimento do bebé. Este estado pode acontecer como reacção aos acontecimentos envolvidos nesta fase. Algumas questões se colocam à recém mamã: Conseguirei cuidar bem do meu bebé? Será que ele vai ser feliz? Também podem surgir algumas dúvidas quando à competência do pai da criança para apoiar nestes cuidados, que se estendem ao apoio a si própria. Mas todas estas dúvidas que levam a uma maior fragilidade devem ser encaradas como normais dada a situação de mudança radical que é a gravidez e o nascimento de uma criança. É verdade que a mulher sentirá que o seu estado psicológico é diferente do que habitualmente era, daí que cause uma sensação de maior fragilidade e Depressão. Mas também é verdade que esta reacção excepcional tem um pano de fundo que a motiva e justifica: circunstâncias também elas muito excepcionais (o nascimento de um filho = novas responsabilidades). Ora se na vida da recém mãe tudo mudou bastante, porque é que seria de esperar que no seu mundo psicológico não ocorresse, pelo menos, um pequeno “abalo”? É nesta perspectiva que devemos encarar o “Baby Blue”. Como uma reacção inicial natural a uma nova vida para a mulher. Com uma criança a seu cuidado, com uma relação conjugal para gerir, com expectativas de apoio por parte do pai da criança e com muito receio de que tudo isto falhe.

O Baby Blue é uma forma inicial de postura depressiva com uma duração aproximada de 1 a 2 meses. Já defendi aqui que seria uma reacção, que devemos encarar como normal, num período inicial, pois as mudanças na vida da recém mamã são realmente muito marcadas, mas com o passar do tempo e começando esta a organizar o seu dia-a-dia e a ultrapassar as dificuldades desta “nova vida”, os motivos para o humor mais depressivo deixam de existir, pelo menos na sua grande maioria, e deste modo o “Baby Blue” vai também desaparecendo, para dar lugar a uma postura mais positiva e adequada à realidade, encarando com mais confiança a sua vida e a relação com os outros.

-O que fazer?

A família e companheiro/marido podem e devem fornecer todo o suporte afectivo e ser compreensivos nesta fase. Ela é passageira, mas caso não exista este suporte, pode tornar-se em algo muito desorganizador para a mãe e bebé. Assim, deve a família agir com naturalidade, não criticando, mostrando que face a esta nova realidade é natural que surjam dúvidas, ajudando a mãe a cuidar do bebé, dando exemplos do que faziam (as mães destas mães). Basta que haja alguma compreensão e não crítica para que a mamãs se sintam apoiadas e consigam mover os seus recursos para o retorno à estabilidade.

A própria deve procurar estar com pessoas da sua confiança, que tenham uma atitude positiva e construtiva. Procurar estar com outras mulheres que tenham tido filhos recentemente e falar com elas sobre os seus medos. Actualmente, na internet é fácil encontrar foruns de discussão de grávidas e de recém mães.

E caso sintam que estão a ter dificuldade em ultrapassar a situação, podem recorrer à ajuda da psicologia.

Continua em “Depressão Pós-Parto. Mito ou Realidade (3ª Parte) >>


Começa em “Depressão Pós-Parto. Mito ou Realidade (1ª Parte) >>

Depressão Pós-Parto: Mito ou Realidade? (1ª Parte)

Colocado por Vasco Catarino Soares em May 3, 2010  |  3 Comentários

Depressão Pós-Parto: Mito ou Realidade?

A gravidez, para além de todo o processo de alterações físicas e hormonais ademais conhecidas, é uma altura em que a mulher se prepara mentalmente para o nascimento do seu filho, o que é o equivalente a dizer que se processam nela alterações no seu equilíbrio psicológico prévio.

É no contexto dessas mudanças que podemos encontrar as razões para a emergência da já conhecida Depressão Pós Parto. Na actualidade, esta é uma preocupação dos profissionais da saúde em geral e mais especificamente dos psicólogos, pois são bem conhecidas as consequências destes períodos depressivos da mãe no Desenvolvimento da criança. Uma vez que esta está menos disponível para o seu filho (em tempo e dedicação voluntária) não conseguirá contribuir da melhor forma para o seu crescimento emocional. E nos caso mais dramáticos (felizmente não são a maioria), este período inicial determina um tipo de relação patológica e tóxica que vai passar a vigorar entre mãe e filho.

Contudo, o que explica que este tipo de afectação só surja em alguns casos? Nem todas as mulheres sofrem de Depressão pós parto (a maioria).

No entanto, quase todas as mulheres, após o nascimento do seu bebé, podem de uma forma ou outra sentir dúvidas e uma maior insegurança. Seja quanto ao seu papel de mãe. Seja em relação ao futuro da sua relação conjugal. Mas todo este estado que, utilizando uma linguagem de senso comum, podemos apelidar de depressivo, pode na realidade não ser uma “verdadeira” Depressão pós-parto.

Há então que distinguir entre uma normal e reactiva postura inicial de dúvidas sobre si própria e sobre o que a rodeia (Baby Blue) e um quadro depressivo mais intenso, a que chamamos Depressão Pós Parto.

Continua em “Depressão Pós-Parto. Mito ou Realidade (2ª Parte) >>

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