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3 ideias-chave para uma boa prestação nas entrevistas de emprego

Colocado por em September 10, 2010  |  3 Comentários

É sempre difícil aconselhar comportamentos para entrevistas. Isto acontece porque podemos estar a criar um problema ainda maior. Vejamos:

Imagine-se que a pessoa tem o tal comportamento desejado na entrevista (porque foi aconselhado) e a sua maneira de ser habitual nada tem que ver com o que apresentou na entrevista. É escolhido para colaborar com a empresa. No seu dia-a-dia na empresa ela não vai ser nada daquilo que mostrou ser na entrevista (porque fez o que lhe disseram que era melhor para a entrevista) o empregador vai ver que aquela pessoa não consegue desempenhar o seu trabalho (porque o trabalho requeria que a pessoa tivesse as características X, que o indivíduo não possui) e começa a querer livrar-se dele. O próprio indivíduo percebe que o seu trabalho não corre bem, os outros olham-no com pesar… Isto não é positivo para ninguém. Para a empresa significou uma perda de tempo e dinheiro. Para o indivíduo uma frustração além de ser dispensado ainda fica com a sensação de fracasso e inutilidade .

As ideias chave:

1- Ser honesto. Compensa sempre, porque se for escolhido vai conseguir fazer o seu trabalho e os outros vão apreciar isso e o próprio vai se sentir útil e capaz.

Caso não seja escolhido é porque as características que possui não se adaptavam ao trabalho (ou porque não foi capaz de o demonstrar na entrevista). E assim é melhor não ter ficado com esse emprego, pois não iria ter lá um bom desempenho, com consequências negativas para o próprio.

2- Ser claro e seguro no modo como fala da sua experiência. Discurso fluído, de quem sabe do que fala. Porque quando se quebra muito o discurso ou se hesita no que se vai dizer isso é visto como sinal de insegurança ou fraco domínio do assunto/trabalho.

3- Não se limitar a responder ao que lhe perguntam. A partir do que lhe foi perguntado, desenvolva as suas respostas explicando os resultados que atingiu no seu anterior trabalho. Dê exemplos, pequenas histórias de trabalho (Atenção! muito breves). Fale de ideias que teve e foram implementadas (ignore as que não foram implementadas. Não é importante. Toda a gente sabe que para uma ideia válida há muitas mais que não resultam). Tudo isto mostra dinamismo, criatividade, e capacidade de adaptação à mudança. Afinal as características mais desejadas actualmente.

Felicidades!

Mercado de Trabalho. Estratégias para Candidatos e Empregadores.

Colocado por em September 7, 2010  |  2 Comentários

Este artigo é baseado numa entrevista que me foi solicitada para uma Revista de Economia “Revista Carteira” de Março de 2009.

1. Numa época de dura competitividade, que características devem apurar os colaboradores e candidatos a empregos?

Dado estarmos num paradigma de trabalho (e mais globalmente, em estilo de vida) que privilegia a rapidez e capacidade de adaptação à mudança, as características que um cadidato a emprego deve melhorar ou desenvolver serão precisamente estas:

a) Ser desenvolto, rápido a executar as suas funções;

b) Deverá possuir autonomia, i. e., conseguir sozinho (tanto quanto o pode fazer na função que desempenha, pois algumas tarefas dependem do trabalho de outros colaboradores) executar o que lhe compete e conseguir ultrapassar obstáculos imprevistos. Uma característica que todo o empregador teme é o oposto do anterior: os colaboradores que ao primeiro obstáculo ou imprevisto ficam bloqueados e não desenvolvem trabalho, ficando à espera que os superiores hierárquicos lhe indiquem o que fazer.

c) Na óptica do paradigma de mudança, cada vez mais emergente, os colaboradores devem possuir esta capacidade de adaptação à mudança, pois tudo muda rapidamente. As empresas tem constantemente que mudar: novas áreas de negócio, novos métodos para executar tarefas, etc.

d) Mas conseguir adaptar-se à mudança pode não ser suficiente. Em determinadas empresas (pela especificidade do seu negócio), os colaboradores devem ir mais além: possuir capacidade de antecipar as futuras mudanças e , no limite, serem eles próprios criadores de mudança. Serem criativos.


2. Que estratégias devem os gestores/administradores tomar para não deixarem os colaboradores contagiar-se pelo clima geral de pessimismo e desconfiança dentro das empresas?

Uma das características bem conhecidas das ciências do comportamento (Psicologia) que são inerentes ao ser humano é a de que num determinado meio todos os seus agentes se influenciam mutuamente. Significa isto que, quando à nossa volta o tema de conversa entre colegas, as mensagens da comunicação social (que tem um impacto forte), as comunicações dos diversos agentes empresariais, são muito negativos e referem constantemente a dificuldade e a crise, as pessoas começam a acreditar (independentemente de ser verdade ou não) e começam a agir em acordo com isso.

A melhor forma de lidar com uma situação destas é ser honesto e dizer a verdade. Porque a verdade? A mentira é sempre descoberta, pois num caso destes não se consegue iludir as pessoas de que não há crise. Os colaboradores vão perceber. E ao ficar com receio, porque se lhes mentem é porque estão a esconder coisas piores (despedimentos)  o pânico instala-se na organização.

A verdade é melhor. Mesmo que as coisas não estejam bem, há de existir sempre qualquer coisa de positivo no meio de qualquer crise. E há de haver um caminho para sair dela. O mundo não vai acabar, as coisas vão voltar à normalidade. Se as empresas pararem aí sim as coisas piorarão cada vez mais. Dizer a verdade aos colaboradores e depois dizer o que se pode fazer para minorar ou até melhorar. Optar por um discurso positivo: “as coisas estão mal neste e naquele ponto, Mas para melhorar é preciso fazer isto e aquilo. Vamos a isto. E vamos conseguir.” Só há um caminho a seguir o que leva à melhoria. Ficar a “chorar sobre o leite derramado” não vai levar a lugar algum.


3. Como devem lidar as pessoas com formação específica com o facto de se verem obrigados a trabalhar em áreas distintas da sua formação?

Caso não possam deslocar-se para uma empresa que precise do trabalho especializado que dominam ou criar o seu próprio negócio (que seja viável), devem encarar como uma nova oportunidade trabalhar numa área distinta. Ainda que isto possa ser muito difícil.

Uma nova oportunidade para “ganhar” uma nova área de trabalho e formação específica. Muitos são os casos de pessoas que foram forçadas a deixar uma área que dominavam e após dedicação conseguiram nova especialização tornando-se ainda melhores do que na antiga área de especialização. Também há casos em que tal não aconteceu, mas provavelmente porque as pessoas ficaram “derrotadas” e não investiram numa nova aprendizagem.

Façam comentários ecrescentem valor, contribuindo com a Vossa opinião e experiência pessoal.

Sete etapas para derrotar as birras do seu filho :: Entrevista Jornal i

Colocado por em July 2, 2010  |  5 Comentários

Uma entrevista exclusiva a Vasco Catarino Soares para o Jornal i:

O psicoterapeuta Vasco Catarino Soares dá algumas pistas sobre como superar as birras quando estas já estão em fase mais avançada. Começar cedo a criar hábitos é a primeira etapa para evitar as teimas frequentes. A disciplina é importante, desde que aplicada com justiça e tendo em conta a fase de desenvolvimento da criança. No entanto, as regras só fazem sentido quando a relação é marcada pela afectividade. Amar, brincar e valorizar são as três premissas que todos os pais devem utilizar na sua relação com os filhos. E chantagear ou ameaçar a criança é o comportamento a evitar.

LER ARTIGO COMPLETO >>

Vasco Catarino Soares no programa “Mundo das mulheres” SIC Mulher.

Colocado por em May 22, 2010  |  0 Comentários

Vasco Catarino Soares no programa “Mundo das mulheres” SIC Mulher.

No dia da mentira (1 de Abril de 2010) desenvolveu-se o tema da possibilidade de se entenderem os sináis exteriorizados (estudados pela psicologia) por quem mente. Bastam estes sinais? Ou será preciso interpretar mais variáveis?

Defendo que não bastam pequenos sinais de exteriorização para garantir uma boa avaliação. Torna-se necessário complementar a nossa análise com outros dados sobre o nosso interlocutor: modo habitual de comunicar; como se tem manifestado no passado recente; razões e lógica que poderiam motivar a mentira (aqui especial cuidado, pois as razões nem sempre são lógicas); tiques do interlucutor que possam ser confundidos com sinais típicos da mentira e…

Pessoalmente foi um prazer ter participado neste programa. Apresentadora (Adelaide Sousa) e restantes convidados (Isabel Stilwell e Moita Flores) proporcionaram um programa bastante agradável.

Fica a aqui o video:

DEPRESSÃO PÓS PARTO: MITO OU REALIDADE? (3ª Parte)

Colocado por em May 5, 2010  |  1 Comentário

Depresssão Pós Parto

A genuína Depressão Pós Parto, apesar de menos frequente, pode ocorrer logo após o nascimento do bebé e ter uma duração longa e imprevisível. E, ao contrário do que frequentemente é divulgado, não é normalmente causada por desequilíbrios hormonais. Só com uma visão muito redutora e pouco científica se poderia achar que um estado de Depressão desta envergadura, que é caracterizado por pensamentos pessimistas, tristeza profunda, falta de confiança nas próprias capacidades, falta de animo para cuidar do próprio bebé, dependeria de uma mera questão de hormonais.

A Depressão é caracterizada por um estado mais ou menos exagerado de desmotivação, actividade diminuída, pensamentos pessimistas em relação a si própria e ao meio circundante e ao futuro. Esta Depressão de maior profundidade, precisa de um longo historial de vida que a justifique. Ela não nasce do nada e num só momento. E a realidade é que ela só é observada em mulheres que, mesmo sem terem sofrido de Depressão anteriormente, já tem uma construção de personalidade fragilizada e por isso mais propensas a estados depressivos.

As causas que levam à Depressão não são imediatas, isto é, vão se desenvolvendo ao longo da vida e dependem das experiências (mais penalizantes) de vida da pessoa (desde a infância), do ambiente familiar (é um ambiente que promove a autonomia e o bem-estar? Ou é um ambiente castrador e emocionalmente frio?). Desta forma, todos os acontecimentos exteriores, sejam eles quais forem, apenas desencadeiam o acentuar de estados pré-depressivos que já fazem parte da pessoa, ou melhor, da forma como se foi estruturando ao longo da vida.

Em termos reais, as pessoas acabam por acreditar que a Depressão foi algo que lhes aconteceu naquele momento, e que foi determinada por algo exterior, como por exemplo um problema hormonal.

Ainda existe muito folclore e mitologia em redor do que é a Depressão. Mas uma coisa é certa: ela não algo que se apanha de um momento para o outro e não é causada por um só acontecimento. Surge como consequência de acontecimentos vários e ao longo da fase de desenvolvimento e formação da personalidade (infância e adolescência).

Se esta recém-mamã já for uma pessoa algo fragilizada porque no seu historial de vida a sua educação ocorreu de tal modo que não lhe permitiu construir-se com uma imagem de solidez e força perante a adversidade (sentir-se uma pessoas insegura de si e das suas capacidades), quando chega à altura de ser mãe, o que implica grande responsabilidade, irá sentir-se incapaz, e aí invoca a resposta que acredita ser a única possível. A postura Depressiva. A postura de quem não é capaz e assim fica-se num estado de desanimo e inactividade.

Tudo isto se passa a um nível inconsciente, do não pensado ou racional. Estas mulheres não escolhem ter esta atitude, não é má vontade, como alguns acham. Estas mamãs não tem é os recursos necessários para que reajam de outra forma. E por isso se diz que estão com uma Depressão pós parto, que é real e incapacitante. Se pudessem escolher de certeza que escolheriam estar bem e confiantes, e felizes com o seu bebé.

Agora juntemos a esta propensão (que foi sendo desenvolvida ao longo da vida e não genética) todos os receios e dúvidas que normalmente surgem na mente da recém mãe (capacidade para cuidar do bebé, ser uma boa mãe, ser capaz de manter a relação com o pai da criança, sentimento de falta de apoio…). Neste caso, tornam-se muito mais difíceis de suportar, porque são acrescidos de um sentimento de incapacidade e desvalia muito profundos e enraizados e, por isso, mais difíceis de dissipar. E temos, deste modo, instalado um quadro depressivo profundo, com consequências na relação da mãe com o bebé. Esta não é qualitativamente a mesma que poderia ter sido caso a mãe estivesse mentalmente disponível e feliz.

Por isso defendemos que a Depressão pós parto não é um capricho. Ela é realmente um drama para quem a vive. E nós (psicólogos, médicos, família, pai da criança) só temos que mover as nossas capacidades para ajudar.

-O que fazer?

Além, do suporte que sempre recomedamos à família e pessoas próximas, é igualmente necessário procurar ajuda profissional. A forma mais eficaz de se conseguir ganhar força [estima pessoal] para se enfrentar os acontecimentos, que levaram a reagir depressivamente, e com possibilidade de os ultrapassar é a terapia psicológica (psicoterapia). Não oferece soluções mágicas (um comprimido que faz desaparecer as dificuldades da vida). A Psicoterapia explora as razões de ordem emocional que causam a perturbação. Tem como objectivo devolver a capacidade de se reconstruir de modo emocionalmente saudável. É um processo terapêutico profundo e relativamente demorado. Todavia, com resultados mais consistentes. A terapêutica com medicamentos anula os sintomas por substituição ou compensação neuro-química-cerebral. No entanto, revela-se insuficiente, pois não trata as razões emocionais profundas, permanecendo, essas, intactas e prontas a actuar assim que termina a acção do medicamento.

A forma saudável de estar na vida passa por não esperar que tudo corra bem. É ter capacidade para suportar as coisas negativas que a vida nos trás (porque vão sempre existir coisas negativas), mas depois tentar resolvê-las e continuar em frente. A psicoterapia ajuda as pessoas a ganharem esta capacidade de enfrentar a realidade e criar estratégias para resolver os seus problemas. Ou melhor, desbloquearem em si esta capacidade que foi sendo inibida e amordaçada ao longo de anos (Depressão).

Veja também:

1ª Parte >>

2ª Parte >>

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