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Um Desafio de Natal: Um Conto de Natal.

Colocado por em December 18, 2009  |  5 Comentários

Foi-me lançado o desafio, pela escritora Ana Martins, assim como a mais alguns bloguers/escritores, de escrever sobre o natal:

– E que tal escrever tendo como tema “O Natal já não é o que era”?

A ideia original consiste em fazer uma publicação simultânea de todas os textos nos sites/blogues dos respectivos autores, com link para os de todos os outros.

Eu aceitei o desafio e escrevi um pequeno conto de Natal.

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Ler ao som de 

O Natal Já Não é o Que Era.

*Conto Ficcionado

Eu gosto do Natal. Muiiiiiiito. Também gosto da Linda. É gira. Mas agora é do natal.

Gosto porque temos férias, podemos brincar mais e comemos montes de coisas doces. O natal é muito lindo e faz frio. Lá fora na rua está um monte de neve e eu e os meus amigos vamos fazer um boneco de neve e brincar à apanhada. No natal foi quando o menino Jesus nasceu. E por isso nós recebemos prendas. Todos os meus amigos gostam do natal porque o pai natal traz brinquedos e depois nós acordamos de manhã e está lá na árvore de natal as prendas embrulhadas com laços de cores, como é que se diz…. Centelhantes. A minha mãe e as tias Gerlhinda e Garotélia (duas manas solteironas, como diz o papá) fazem doces de natal com montes de açucar e canela. O Pedro Pereira no ano passado ganhou só um boneco de Wrestling. É um boneco um bocado esquisito… É fatela. Mas acho que é assim porque é da loja dos chineses. Mas não faz mal porque ouvi a mana dizer que há crianças em Africa que não recebem prendas nenhumas. Por isso acho que um boneco dos chineses já é bom. A mamã diz que deviamos ter pena desses meninos… Mas eu gosto mesmo é dos presentes que o pai natal me dá e fico muito feliz. Eu sei que não é o pai natal. São os pais e as tias que compram as prendas. Mas temos que dizer que é o pai natal porque eles põem-se logo a dar encostões uns aos outros a dizer que não é nada disso. É o pai natal que traz mas às vezes como não tem tempo pede para as tias comprarem. Eu e a minha mana fingimos que acreditamos.

Parece que é assim. Em todas as famílias há uma série de pequenas mentiras que todos insistem em manter. Mesmo sabendo que nunca foram realidade e que em nada nós beneficiam. Eu por mim descobri que, nos natais que o meu pai não podia passar connosco, supostamente porque tinha que ir trabalhar para longe, era porque ia passar com a outra mulher e os filhos de ambos. Nesses natais as prendas eram menos prendas. Os doces eram menos doces. Mas ninguém sabia porquê. Agora sabemos.

Continuo a gostar do natal. Também continuo a gostar da Linda. Mas ela não é a minha Linda.

Gosto do natal quando vejo na cara e olhos das crianças do centro de apoio à infância, em Africa, – onde trabalho e vivo – que qualquer pequeno brinquedinho (pior que os da loja dos chineses) os transporta para além do natal. E a mim também.

Parece que o Natal já não é o que nunca foi.

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São se7e os convidados desafiados a escrever tendo apenas como mote:  O Natal já não é o que era, seguem os link para todos os convidados neste desafio: Ana Martins (Autora da ideia), Ana Paula Motta, Isa Silva, João Moreira de Sá, Luís Bento, Nuno Gervásio, Tito de Morais e Vasco Catarino Soares.

Entrevista a Vasco Soares para RTP N. 14 Dezembro 2009

Colocado por em December 17, 2009  |  0 Comentários

No dia 14 de Dezembro de 2009 fui entrevistado por Joana Domingues para o programa “A Cor do Dinheiro”.

Desta vez, e ainda com o pano de fundo da gestão financeira para crianças, foi colocada uma questão que serviria de mote para o programa: “haveria a noção e preparação por parte dos pais (educadores) para construirem uma poupança para os filhos?” Mais especificamente, “conseguem-se juntar 50 mil euros? Para que o seu filho tenha, aos 18 anos, uma ajuda para inicio de vida?”

Defendo a ideia de que, para que 50.000,00 (ou outro valor qualquer) nas mãos de um adolescente de 18 anos não sejam uma catástrofe, deve insistir-se numa educação para a responsabilidade.

Capturar8Uma educação para a responsabilidade, passa por: existir o cuidado de acompanhar os filhos emocionalmente; por valorizar os seus sucessos e estimular a ultrapassar fracassos; por colocar limítes nos seus comportamentos (todos os que sejam perigosos para a sua sobrevivência ou que ameaçam a a liberdade e dignidade de terceiros); por não ceder a “birras” cujo objecto não seja realizável ou justo; por permitir aos filhos, muito justamente, que experimentem a frustração de não verem realizados determinados desejos (não por maldade, mas porque eles não são justos) e, deste modo, eles aprenderão que realmente na vida não se pode ter tudo, por variadíssimas razões, mas especialmente porque pode não ser justo (para outros, às vezes para nós próprios) fazermos tudo o que queremos.

on-air



Convite para a antestreia do filme “A Nova Vida do Senhor O´Horten”

Colocado por em December 3, 2009  |  0 Comentários

Como devem já ter percebido, por alguns artigos aqui publicados, sou apreciador de cinema. Como psicólogo recebo, por vezes, convites para visionar filmes em sessões pré-estreia, para redigir comentários sobre os mesmos. Comentários que se prenderão com os aspectos que possam ter alguma relação com a psicologia (ou se quisermos com o comportamento humano). Já aqui coloquei uma hipótese de perfil psicológico do realizador de Hostel 2, Eli Roth, a convite de Rui Tendinha – conhecido crítico de cinema da nova geração.
O convite que, agora, me fizeram (Alambique) refere-se ao filme A Nova Vida do Senhor O´Horten, do norueguês Bent Hamer. Estreia amanhã, dia 03 de Dezembro de 2009. É um filme Selecção oficial do festival de Cannes. E é bom! Tem vida!
hortenMaquinista de comboios (companhia dos caminhos de ferro Noruegueses), com 40 anos de serviço, O´Horten é um homem pacato e solitário. O tipo de homem cuja vida é equivalente a um arquivo de biblioteca – impecavelmente arrumado. Quarenta anos de organização. Horários, turnos, locais onde fica hospedado nas suas viagens de trabalho, as refeições… Tudo é metódico e regular. Fumador de cachimbo (frequenta sempre a mesma tabacaria). Impecavelmente organizado e regular. O dia da reforma é o mote do início deste filme. Neste dia (ou melhor, na noite que o precede) algo começa a mudar. Fica, então lançado o percurso do filme (que não revelo aqui).
É um filme sobre a mudança e coragem. Coragem para abdicar de 40 anos de hábitos rígidos. Coragem porque a reforma é uma fase dura. Como psicólogo sei muito bem o impacto que a reforma tem nas pessoas (questionamento sobre a própria valia, quebras depressivas, vazio angustiante, preparação para a morte desvitalizante… [um dia explico o que isto quer dizer]).
Mas aqui há uma mensagem de esperança. Sem ser lamechas é “capaz de aquecer o coração mais gelado” (David Parkinson, Empire). É uma “pequena obra-prima de humor” (Lou Lumenick, New York Post).
Neste caso, teríamos que dizer, o senhor O´Horten começou a viver depois de reformado. Senão vejam: fazer um passeio nocturno de automóvel no lugar do morto com um condutor (ainda mais velho) que acredita ter o dom de ver de olhos fechados… É ou não é começar a viver?
Da minha parte, como psicólogo, considero esta uma mensagem muito animadora. Era o que aconselharia a todos os que me perguntassem: o que devo fazer depois de me reformar? A minha resposta seria: Olhe! Faça “
A Nova Vida do Senhor O´Horten“.

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Site Oficial- http://www.sonyclassics.com/ohorten

Site Alambique- http://www.alambique.pt

E foi assim que tudo começou

Colocado por em November 24, 2009  |  0 Comentários

Carbon Based Lifeforms – Abiogensis

The beginning of times. E foi assim que tudo começou. Carbon Based Lifeforms – Abiogensis.



Opinião sobre filme Hostel2 – Notícias magazine

Colocado por em November 13, 2009  |  1 Comentário

Hostel 2

Violência para que te quero!

hUma cena de decapitação, outra de radical canibalismo e também a famosa sequência de castração. Isto fez de Hostel2, acabado de estrear, alvo de controvérsia. Já o consideraram «Tortura pernográfica» e ao seu realizador, Eli Roth, um tarado perigoso. Falámos com este protegido de tarantino e convidámos um psicoterapeuta português a avaliar o potencial grau nefasto desta sequela. Afinal, quem tem medo do papão da violência em Hollywood?

Texto: Rui Pedro Tendinha, Cannes

Fotografia: Rico Torres

NOTÍCIAS MAGAZINE Nº 795 de 19 Agosto 2007


É uma vaga, uma moda em hollywood: filmes de terror com violência explícita e sempre com a temática da tortura como prioridade. São os chamados gornos ( junção da palavra gore com porno ) ou torture porn. A discussão já tinha estalado quando os estúdios americanos começaram a apostar neste tipo de filmes, sobretudo em 2005, o ano dos sucessos de Saw – Enigma Mortal e do primeiro Hostel. O rastilho da contestação aumentou na véspera da estreia de hostel 2 nos EUA, no passado mês de junho. Os detractores bateram forte e feio na forma como a violência começou a ser completamente explícita. A grande maioria da imprensa americana atacou o fenómeno do «vale-tudo» em violência e chamou, literalmente, «irresponsáveis» aos realizadores e produtores. O certo é que esses filmes fizeram muito, muito dinheiro nas bilheteiras. Uma nova geração de espectadores já não engole nenhuma obra de terror sem as entranhas bem à mostra ou os miolos de uma miúda bem escarrapachados em primeiro plano. Com tantos protestos, começou a pensar-se que, se houver recuo de violência nesses filmes, estaremos então perante uma certa forma de censura. Levanta-se, obviamente, a questão da liberdade de expressão artística. Em defesa desta tendência poderão estar argumentos que apontam para o direito à transgressão. O segredo do sucesso é precisamente dar a impressão ao espectador de que está a ver qualquer coisa de perigoso, de proibido. Em todos esses filmes a tónica, para além da tortura, é sem dúvida o grau elevado do sadismo dos vilões, todos eles de uma imoralidade inimaginável.

Quem parece estar a ser o principal bode expiatório disto tudo é Eli Roth, realizador vindo do cinema independente e especialista em emoções fortes. Foi ele quem criou e imaginou a demência confessa da saga Hostel. É ele quem está a ser acusado de «mente doentia» ou cineasta com tendências sádicas. Para desmontar as acusações, chegou a consentir que um grupo de psicólogos e psiquiatras o avaliasse a partir do visionamento de Hostel 2. Por muito que todos os fotogramas salpiquem sangue, os psiquiatras desmentiram qualquer distúrbio mental. A reputação de Roth acabou por não ir totalmente ao ar, mesmo depois de muitos, inclusive colegas, terem concordado que tinha ido longe demais. Quem sempre o defendeu foi Quentin Tarantino, que já o tinha ajudado no primeiro Hostel. Ambos os filmes chegam com um rótulo «Quentin Tarantino apresenta» e foi o próprio realizador de Pulp Fiction quem o escolheu para actorem À Prova de Morte, eventualmente também um filme de terror com pernas amputadas e algum banho de sangue.

Como não poderia deixar de ser, a violência no cinema, à luz dos nossos dias, tem os seus adeptos. Em 2007 já não nos assustamos com sangue à distância e são muitos os defensores deste imaginário cru. Filmes como SinCity ou o próximo Rambo usam e abusam dessa opção explícita, não sendo catalogáveis como películas de terror. Ou seja, o horror ganhou na América uma bravura mais realista e quando em Setembro chegar Planeta de Terror, de Robert Rodríguez, ficaremos a pensar se toda esta gente não anda a competir para ganhar o prémio do mais repulsivo, nojento e impressionante filme da história do cinema. Claro, para já, o que está em causa é perceber se o sadismo de Hostel 2 será, ou não, desviante ou nocivo, chamemos-lhe assim.

O filme convida-nos a entrar num clube de tortura, em que mediante uma fortuna qualquer milionário vai até uma pequena vila da Eslováquia para torturar e matar, como quiser, jovens turistas raptados. A garantia é que não são apanhados porque a organização assegura sigilo e segurança totais. Na prática, o que vemos são decapitações, uma perna a ser cortada para consumo canibalesco, um duche com o sangue de uma virgem pendurada, uma castração a um homem e uma já mítica desfiguração com motosserra. Respiramos fundo e prosseguimos. Hostel 2 tem requintes de tortura para dar e vender. No meio de tanto choque, os espectadores, entre a perplexidade e o desconforto, riem-se. Riem-se de nervosismo. Claro, o realizador defende-se. Faz figura de provocador e lembra a todo o momento que o filme está classificado para maiores de 18 anos, que só entra no cinema quem gosta do género. Quem o conhece sabe que ele é tudo menos uma pessoa violenta.

A palavra ao psicólogo

O psicoterapeuta Vasco Catarino Soares, da Clínica Insight – Psicologia, não o conhece mas depois de ter visto o filme avança com a hipótese de um retrato psicológico apenas a partir do que assistiu em Hostel 2: «Pode ser que seja uma pessoa com grande necessidade de expressar raiva ou medo, mas possuidora de uma personalidade algo narcísica (que em psicologia significa ter necessidade de reconhecimento por parte dos outros, necessidade de aparecer, de ser visto, falado. Recupero aqui uma frase de Oscar Wilde que pode esclarecer: “Falem bem de mim. Falem mal de mim. Mas não deixem de falar de mim.”). Ao ter esta necessidade de ser notado, sendo realizador no meio de centenas de realizadores, talvez tente fazer a diferença para não ficar no anonimato. Uma forma rápida e mais acessível a estes indivíduos é enveredar por conteúdos chocantes ( garantia de ser falado, nem que seja pela crítica negativa). Também são indivíduos que gostam de ir pela contracultura, rompendo com a ordem vigente, o que lhes dá a sensação de estar acima dos costumes: fazem coisas chocantes, que escandalizam os outros.»

Seja como for, o nosso convidado desconfia que este tipo de filmes hiperviolentos acabe por não ser perigoso para os espectadores. Catarino Soares lembra que este excesso de violência está a ficar banalizado pela sua própria sobreexposição. Na prática, «esta vaga de filmes sobre tortura será explicada por vivermos num mundo em que as respostas de agressividade e desprezo pelo valor da humanidade vão acontecendo com mais facilidade. Em parte, motivados pela banalização da violência e por um certo vazio de valores ou até utopias. Num mundo sobrepovoado, onde a expressão natural das vontades e sentimentos dos indivíduos é mais dificultada (pelo efeito de número, pela falta de canais de expressão acessíveis à maioria dos indivíduos), muito fácilmente se encontra na agressividade uma forma de expressão e de afirmação do “eu”. Note-se que é mais fácil destruir que construir.»

Durante a projecção, a susceptibilidade deste psicólogo não provocou pulos na cadeira. Mas em Portugal quem está de certeza a devorar o filme neste momento são os adolescentes, mesmo aqueles que não têm idade para entrar na sala. O especialista compreende esse apelo: «Também há adolescentes que se afirmam pelo o culto da contracultura. É uma forma de se evidenciarem e de se destacarem dos comuns – uma necessidade muito assentuada em alguns adolescentes. Esses poderão manifestar agrado pelo filme. Mas isso não significa que o vão reproduzir na realidade. Pode ser apenas uma expressão de oposicionismo que não passa pelo comportamento agressivo.» Avançamos também com outra hipótese: a do espectador apenas querer ter medo puro durante hora e meia. Sem filmes de terror com violência extrema lá se ia uma das derradeiras hipóteses de nos podermos «escapar».



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