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COMO DEVEM OS PAIS LIDAR COM OS FILHOS NA ÉPOCA NATALÍCIA

Colocado por em December 2, 2010  |  0 Comentários

Artigo baseado numa entrevista minha em 2008. Publicada em:

Agência Lusa, Jornal de Negócios, Jornal 24 Horas, Jornal da Madeira, Jornal O Ribatejo.

Site da Revista Visão, Site Noticias Sapo, Site IOL, Site Forum G-SAT, Site Millennium BCP, Site Jornal da Madeira, Site Diário Digital, Site RTP, Site Observatório do Algarve, Site Açoreana Seguros.

Por Vasco Catarino Soares :: Psicoterapeuta e Ludoterapeuta .


Image: Francesco Marino / FreeDigitalPhotos.net

Na época natalícia, devemos acrescentar ao cuidado normal a ter na gestão das compras resultantes das exigências dos filhos, uma boa dose de coragem e honestidade. Passo a explicar: Na altura das festas natalícias há um grande apelo ao consumo. Apelo este que se centra no incentivo à compra de brinquedos e todos os acessórios electrónicos muito requeridos pelos jovens. Perante toda uma cultura profundamente enraizada na sociedade, que “grita” ninguém pode ficar esquecido e todos tem que ser presenteados, quem tem coragem para não cumprir com a premissa?

Apesar do que na realidade acontece (encher as crianças com presentalhada que apenas observam meia dúzia de vezes e depois esquecem durante o resto do ano), o ideal seria que as crianças recebessem como presente de natal 2 ou 3 prendas do seu interesse. Já sei. Vai o leitor dizer que prendas do interesse do meu filho são dezenas. É verdade. As crianças já estão habituadas à avalanche de prendas no Natal. Mas se sempre tivessem sido aculturadas no hábito de receberem 2 ou 3 prendas isto deixaria de ser um problema actualmente. Então é preciso que os pais e família compreendam que o melhor para os seus filhos, para a sua felicidade, não depende de receberem uma imensidão de prendas (e até pode ser prejudicial, pois tornam a criança pouco resistente a situações de frustração). Mesmo que no imediato seja isto o que nos possa parecer a todos, pois antevemos as birras e os gritos. Se repararmos bem, da montanha que cada criança recebe no natal apenas 2 ou 3 brinquedos entram no leque dos habituais. Noutros casos, o que se observa são crianças com quartos cheios de brinquedos em que a criança pega em todos mas não brinca com nenhum. Repete actividade sem nexo, muitas vezes destrutiva, e sem retirar prazer algum da brincadeira.

Para mostrarmos que amamos os nossos filhos podemos fazê-lo escolhendo bem algo que é importante para eles (apostar na qualidade de escolher conhecendo o presenteado), e desistir de comprar em quantidade, apenas para se acreditar que assim se gosta mais. Neste esforço para sermos mais equilibrados não devemos cair no erro (que muitas vezes também acontece) de oferecer prendas para dois irmãos (diz a tia do Luxemburgo: como é uma prenda cara e dá para os dois…). Nunca, mas nunca, escolham esta via. É fácil, é mais barata, mas só dá desilusões. Se ouvissem os relatos que Eu já ouvi em consultório de situações destas e dos danos psicológicos que causam. Não é só por causa do bem material. É todo o resto: quem brinca mais; porque é que Eu não mereço uma coisa só para mim; não era nada disto que Eu queria. As guerras que se geram entre irmãos, o choro, a dor de cabeça dos pais. Muita coisa negativa. Esqueçam a ideia. É péssima.

A aposta certa é dar poucos, bons e personalizados presentes. Juntando a isto muita atenção, compreensão carinho e aceitação. E já agora também podem os pais brincar com os filhos e os poucos bons presentes que lhes ofereceram, em vez de ficarem horas a olhar para os ecrans de televisão.

Não será demais organizar a família para uma distribuição mais equilibrada das prendas de natal. Também ajuda que todos estejam por dentro. Os pais oferecem aquele brinquedo especial e os restantes familiares oferecem coisas úteis (não entrem no esquema do “o meu presente tem que ser o melhor”). Mas atenção cuidado com os boicotes. Há muita gente que vai persistir no velho esquema da inundar os outros com prendas. Será que é por não conseguirem mostrar o seu amor pelos outros de outra forma?

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CONSELHOS PRÁTICOS:

1- Duas ou Três Prendas.

Comprem poucas prendas, mas apliquem-se em escolher as que sejam significativas para os vossos filhos. Não comprem qualquer coisa só porque está na moda (a não ser que seja importante para o vosso filho) ou porque é cara. para as criança isso pouco importa.

2- Esquecer a Ideia: Uma Prenda para Dois Irmãos.

Não comprem prendas a distribuir por 2 (só porque são irmãos e gostam os 2 deste brinquedo). Vão causar muitas guerras fraternas e dores de cabeça para toda a gente. E com sorte alguns traumas psicológicos.

3- Explicar aos Filhos Porque se Deve Ter Poucas Prendas.

Expliquem aos mais velhinhos (que já sabem que não existe Pai Natal) que o dinheiro custa a ganhar e que serve para comprar coisas importantes para vivermos (alimentação, vestuário) e só depois é que se podem comprar presentes, mas só alguns. Aos mais pequerruchos digam que o Pai Natal tem que dar prendas a todas as crianças do mundo por isso não pode dar muitas a cada criança. E fiquem-se por aqui. Não vale a pena (porque a criança não vai compreender) explicar muito mais. Um “é assim que o Pai Natal faz” basta como explicação adicional.

4- Dar o exemplo.

O dinheiro não cai do céu e, como tal, devem demonstrar aos vossos filhos que é necessário muito esforço para ganhá-lo. Se as crianças percebem que os pais são gastadores, dificilmente vão aprender a poupar. Se os pais são gastadores e consumistas mas depois dizem aos filhos que não podem ter mais prendas porque não têm dinheiro, a mensagem sai furada. Porque aquilo que as crianças vão seguir é o comportamento dos pais.

5- Brincar. Brincar. Brincar.

Aproveite estes dias de festa e feriado para brincar com os seus filhos, vai ver que lhes dará uma alegria adicional que nenhum monte de brinquedos consegue. As crianças gosta de se sentir amadas e vão senti-lo quando os pais brincam com elas. Deixe-se levar pela fantasia delas. Esqueça a realidade (apenas enquanto brinca). As crianças conhecem-na (vivem cá lembra-se). Não esteja sempre a dizer: mas olha que os carros não voam. Na brincadeira podem muito bem voar. E muito mais…

4 dicas para ultrapassar a frustração de ter perdido o seu emprego

Colocado por em September 15, 2010  |  3 Comentários

Se perdeu o seu emprego não se deixe levar pelo desespero. A sua vontade será certamente essa. Todavia, se pensarmos logicamente, concluimos que no desespero não poderemos encontrar a solução para os nossos problemas. Encontramos um meio para manifestar a nossa angústia. Depois é avançar no sentido de uma nova vida. Deixo umas dicas para começar a dar os primeiros passos:

1- BALANÇO PESSOAL

Fazer um balanço pessoal e íntimo. Rever o seu trabalho, as suas competências. As áreas que melhor domina e as que não domina. Quando tiver dúvidas sobre os seus desempenhos deve perguntar a quem conhece o seu trabalho.

Este balanço vai permitir ter uma noção real (mais próximo possível do real) acerca de si como profissional. Isto é importante como ponto de partida para uma nova vida profissional.

2- CONHEÇA-SE A SI MESMO

Procure conhecer-se a si próprio muito bem: que características pessoais possui.

- É uma pessoa de objectivos ou um “maníaco” por trabalho físico?

- Gosta de liderar ou não lhe interessa isso e prefere fazer o seu trabalho?

- Gosta de trabalhar com pormenores ou prefere as grandes ideias?

Caso necessite, procure um psicólogo que o pode ajudar neste aspecto.

3- PROCURE QUEM O PROCURA

Procurar organizações, que estejam a recrutar e que necessitem das competências e características pessoais que possui, e candidate-se a esse lugar. Irá estar muito mais seguro e com maior vantagem perante os outros candidatos (pelo menos em igualdade).

4- FAÇA O QUE MELHOR SABE FAZER

Pode, igualmente, em alternativa ao anterior, criar o seu próprio trabalho (sejam como prestador de serviços ou como empresa): mas invista em algo que possa aproveitar as suas competências e características pessoais ( não invista em qualquer coisa só porque parece que é um bom negócio). Só assim poderá ter uma boa performance e agradar aos seus (futuros) clientes.

E você? Já esteve na situação de desempregado? O que fez para vencer a frustração?

Os seus comentários serão bem vindos.

Entrevista a Vasco Catarino Soares para o Jornal DN: Edição Domingo 07 Fevereiro 2010

Colocado por em February 15, 2010  |  1 Comentário

vcs4No dia 8 de cada mês, já nada restava do ordenado. Em apenas uma semana, Joaquim já tinha gasto os 700 euros em casas de alterne, linhas de valor acrescentado e pornografia. Durante cerca de 13 anos, mês após mês, a situação repetiu-se. Até que, em 2006, a irmã o obrigou a procurar ajuda. Joaquim, agora com 55 anos, viciado em sexo, esteve internado numa clínica de recuperação durante quatro meses, onde aprendeu a lidar com o problema.

Casos como o de Joaquim têm tendência a aumentar, admitem os médicos, devido à queda de muitos tabus ligados ao sexo, sobretudo entre as mulheres. Estima-se que 3 a 6% da população mundial sejam viciados em sexo. “Trata-se de um comportamento impulsivo para compensar um vazio emocional. Na origem podem estar os modos muito severos ou permissivos como se educam os jovens”, descreve Vasco Catarino Soares, psicoterapeuta e director da clínica Insight-Psicologia.

Eduardo da Silva, director terapêutico do Centro Villa Ramadas, clínica onde foram tratadas nove pessoas (todos homens) com esta adição desde 2003, assegura que o problema pode destruir a vida destes doentes. “São indivíduos com pensamentos e comportamentos obsessivo-compulsivos, em que a actividade sexual passa a ser o elemento central definidor da sua personalidade”, indica o responsável. “A pessoa não consegue ter controlo, tornando ingovernável a sua vida. Depois, os sentimentos de vergonha, culpa e repugnância levam a um sofrimento constante.”

Segundo os especialistas, são sobretudo os homens a sofrer desta adição (70 a 80% dos casos), sobretudo dos 25 aos 50 anos. “Os adolescentes também são um grupo propenso, mas não o admitem. Acima dos 50 anos, os níveis de testosterona no homem começam a baixar e por isso também o número de casos”, admite o sexólogo clínico Fernando Mesquita. No entanto, a tendência poderá estar a mudar. “Existe uma maior abertura social quanto ao papel da mulher no sexo, o que pode abrir portas para os comportamentos sexualmente exagerados, como forma de compensar as inseguranças e frustrações”, admite Catarino Soares.

Se para alguns médicos o problema é uma dependência semelhante à das drogas ou do álcool, outros desvalorizam-no. O sexólogo Francisco Allen Gomes, por exemplo, não reconhece a vontade impulsiva de ter sexo como uma adição. “Isso é uma invenção dos tempos modernos. Estes comportamentos eram normais na década de 60. E agora querem dar-lhe o nome de patologia”, acusa.

Joaquim admite que foram anos difíceis. “Quando tinha 20 anos, comecei a ficar atraído pela noite e pelos bares de alterne”, recorda. A morte do pai, há 15 anos, e a facilidade de acesso às contas bancárias da família vieram agravar a situação, dando-lhe carta branca para satisfazer o vício. “Gastava 100 euros por dia, pelo menos três vezes por semana”, confessa, contabilizando um total de largos milhares de euros gastos na época. Todos os dias acordava com o mesmo pensamento: procurava nos classificados dos jornais os anúncios de sexo, e depois de almoço já não se concentrava no trabalho. “Só pensava na hora em que ia sair para procurar satisfazer o desejo”, diz.

Joaquim nunca se casou. Nunca se sentiu capaz de se “agarrar” a um sentimento. “Sofria de distúrbios psicológicos. Isolei-me e afastei-me das pessoas”, conta.

Fernando, de 38 anos, passou pelo mesmo. “Já na adolescência era um rapaz muito activo sexualmente e arranjava parceiras para relações sexuais fortuitas com facilidade”, recorda. “Cheguei a estar com três mulheres na mesma noite, saltando de cama em cama.” O pior, diz, era a visão que as outras pessoas tinham dele. “A minha fama de mulherengo espalhou-se e deixei ter relações estáveis, ninguém confiava em mim.”

“São pessoas inseguras, e como o comportamento sexual desprovido de afectividade não lhes dá o afecto que gostariam de sentir, continuam a procurá-lo em cada novo relacionamento”, adianta Catarino Soares.

O tratamento é longo e, como em qualquer adição, um viciado nunca deixa de o ser. “A adição ao sexo é apenas a ponta do icebergue de um problema emocional profundo. A psicoterapia tem de ser contínua”, defende Eduardo da Silva. “Exploram-se as falsas construções de sexualidade, possibilitando a construção, agora mais saudável, de uma nova sexualidade”, remata Catarino Soares.

Recebi o Convite. Aceitei.

Colocado por em January 18, 2010  |  3 Comentários

Gula - Por Ruben Andrade

Gula - Por Ruben Andrade

Fui convidado a publicar os 7 pecados capitais no site da escritora Ana Martins.

Para quem não conhece, os 7 pecados capitais foram escritos por mim em 2006 (correspondendo a um convite) para serem publicados na Revista Click In.

Estas crónicas (com limitação de 1 página) iam sendo escritas mensalmente e bem me diverti ao escrevê-las. Se as lerem pode ser que se divirtam também.

Fica, então lançado o convite. Clicar na imagem:

se7en

Um Desafio de Natal: Um Conto de Natal.

Colocado por em December 18, 2009  |  5 Comentários

Foi-me lançado o desafio, pela escritora Ana Martins, assim como a mais alguns bloguers/escritores, de escrever sobre o natal:

– E que tal escrever tendo como tema “O Natal já não é o que era”?

A ideia original consiste em fazer uma publicação simultânea de todas os textos nos sites/blogues dos respectivos autores, com link para os de todos os outros.

Eu aceitei o desafio e escrevi um pequeno conto de Natal.

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Ler ao som de 

O Natal Já Não é o Que Era.

*Conto Ficcionado

Eu gosto do Natal. Muiiiiiiito. Também gosto da Linda. É gira. Mas agora é do natal.

Gosto porque temos férias, podemos brincar mais e comemos montes de coisas doces. O natal é muito lindo e faz frio. Lá fora na rua está um monte de neve e eu e os meus amigos vamos fazer um boneco de neve e brincar à apanhada. No natal foi quando o menino Jesus nasceu. E por isso nós recebemos prendas. Todos os meus amigos gostam do natal porque o pai natal traz brinquedos e depois nós acordamos de manhã e está lá na árvore de natal as prendas embrulhadas com laços de cores, como é que se diz…. Centelhantes. A minha mãe e as tias Gerlhinda e Garotélia (duas manas solteironas, como diz o papá) fazem doces de natal com montes de açucar e canela. O Pedro Pereira no ano passado ganhou só um boneco de Wrestling. É um boneco um bocado esquisito… É fatela. Mas acho que é assim porque é da loja dos chineses. Mas não faz mal porque ouvi a mana dizer que há crianças em Africa que não recebem prendas nenhumas. Por isso acho que um boneco dos chineses já é bom. A mamã diz que deviamos ter pena desses meninos… Mas eu gosto mesmo é dos presentes que o pai natal me dá e fico muito feliz. Eu sei que não é o pai natal. São os pais e as tias que compram as prendas. Mas temos que dizer que é o pai natal porque eles põem-se logo a dar encostões uns aos outros a dizer que não é nada disso. É o pai natal que traz mas às vezes como não tem tempo pede para as tias comprarem. Eu e a minha mana fingimos que acreditamos.

Parece que é assim. Em todas as famílias há uma série de pequenas mentiras que todos insistem em manter. Mesmo sabendo que nunca foram realidade e que em nada nós beneficiam. Eu por mim descobri que, nos natais que o meu pai não podia passar connosco, supostamente porque tinha que ir trabalhar para longe, era porque ia passar com a outra mulher e os filhos de ambos. Nesses natais as prendas eram menos prendas. Os doces eram menos doces. Mas ninguém sabia porquê. Agora sabemos.

Continuo a gostar do natal. Também continuo a gostar da Linda. Mas ela não é a minha Linda.

Gosto do natal quando vejo na cara e olhos das crianças do centro de apoio à infância, em Africa, – onde trabalho e vivo – que qualquer pequeno brinquedinho (pior que os da loja dos chineses) os transporta para além do natal. E a mim também.

Parece que o Natal já não é o que nunca foi.

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São se7e os convidados desafiados a escrever tendo apenas como mote:  O Natal já não é o que era, seguem os link para todos os convidados neste desafio: Ana Martins (Autora da ideia), Ana Paula Motta, Isa Silva, João Moreira de Sá, Luís Bento, Nuno Gervásio, Tito de Morais e Vasco Catarino Soares.

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