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DEPRESSÃO PÓS PARTO: MITO OU REALIDADE? (3ª Parte)

Colocado por Vasco Catarino Soares em May 5, 2010  |  1 Comentário

Depresssão Pós Parto

A genuína Depressão Pós Parto, apesar de menos frequente, pode ocorrer logo após o nascimento do bebé e ter uma duração longa e imprevisível. E, ao contrário do que frequentemente é divulgado, não é normalmente causada por desequilíbrios hormonais. Só com uma visão muito redutora e pouco científica se poderia achar que um estado de Depressão desta envergadura, que é caracterizado por pensamentos pessimistas, tristeza profunda, falta de confiança nas próprias capacidades, falta de animo para cuidar do próprio bebé, dependeria de uma mera questão de hormonais.

A Depressão é caracterizada por um estado mais ou menos exagerado de desmotivação, actividade diminuída, pensamentos pessimistas em relação a si própria e ao meio circundante e ao futuro. Esta Depressão de maior profundidade, precisa de um longo historial de vida que a justifique. Ela não nasce do nada e num só momento. E a realidade é que ela só é observada em mulheres que, mesmo sem terem sofrido de Depressão anteriormente, já tem uma construção de personalidade fragilizada e por isso mais propensas a estados depressivos.

As causas que levam à Depressão não são imediatas, isto é, vão se desenvolvendo ao longo da vida e dependem das experiências (mais penalizantes) de vida da pessoa (desde a infância), do ambiente familiar (é um ambiente que promove a autonomia e o bem-estar? Ou é um ambiente castrador e emocionalmente frio?). Desta forma, todos os acontecimentos exteriores, sejam eles quais forem, apenas desencadeiam o acentuar de estados pré-depressivos que já fazem parte da pessoa, ou melhor, da forma como se foi estruturando ao longo da vida.

Em termos reais, as pessoas acabam por acreditar que a Depressão foi algo que lhes aconteceu naquele momento, e que foi determinada por algo exterior, como por exemplo um problema hormonal.

Ainda existe muito folclore e mitologia em redor do que é a Depressão. Mas uma coisa é certa: ela não algo que se apanha de um momento para o outro e não é causada por um só acontecimento. Surge como consequência de acontecimentos vários e ao longo da fase de desenvolvimento e formação da personalidade (infância e adolescência).

Se esta recém-mamã já for uma pessoa algo fragilizada porque no seu historial de vida a sua educação ocorreu de tal modo que não lhe permitiu construir-se com uma imagem de solidez e força perante a adversidade (sentir-se uma pessoas insegura de si e das suas capacidades), quando chega à altura de ser mãe, o que implica grande responsabilidade, irá sentir-se incapaz, e aí invoca a resposta que acredita ser a única possível. A postura Depressiva. A postura de quem não é capaz e assim fica-se num estado de desanimo e inactividade.

Tudo isto se passa a um nível inconsciente, do não pensado ou racional. Estas mulheres não escolhem ter esta atitude, não é má vontade, como alguns acham. Estas mamãs não tem é os recursos necessários para que reajam de outra forma. E por isso se diz que estão com uma Depressão pós parto, que é real e incapacitante. Se pudessem escolher de certeza que escolheriam estar bem e confiantes, e felizes com o seu bebé.

Agora juntemos a esta propensão (que foi sendo desenvolvida ao longo da vida e não genética) todos os receios e dúvidas que normalmente surgem na mente da recém mãe (capacidade para cuidar do bebé, ser uma boa mãe, ser capaz de manter a relação com o pai da criança, sentimento de falta de apoio…). Neste caso, tornam-se muito mais difíceis de suportar, porque são acrescidos de um sentimento de incapacidade e desvalia muito profundos e enraizados e, por isso, mais difíceis de dissipar. E temos, deste modo, instalado um quadro depressivo profundo, com consequências na relação da mãe com o bebé. Esta não é qualitativamente a mesma que poderia ter sido caso a mãe estivesse mentalmente disponível e feliz.

Por isso defendemos que a Depressão pós parto não é um capricho. Ela é realmente um drama para quem a vive. E nós (psicólogos, médicos, família, pai da criança) só temos que mover as nossas capacidades para ajudar.

-O que fazer?

Além, do suporte que sempre recomedamos à família e pessoas próximas, é igualmente necessário procurar ajuda profissional. A forma mais eficaz de se conseguir ganhar força [estima pessoal] para se enfrentar os acontecimentos, que levaram a reagir depressivamente, e com possibilidade de os ultrapassar é a terapia psicológica (psicoterapia). Não oferece soluções mágicas (um comprimido que faz desaparecer as dificuldades da vida). A Psicoterapia explora as razões de ordem emocional que causam a perturbação. Tem como objectivo devolver a capacidade de se reconstruir de modo emocionalmente saudável. É um processo terapêutico profundo e relativamente demorado. Todavia, com resultados mais consistentes. A terapêutica com medicamentos anula os sintomas por substituição ou compensação neuro-química-cerebral. No entanto, revela-se insuficiente, pois não trata as razões emocionais profundas, permanecendo, essas, intactas e prontas a actuar assim que termina a acção do medicamento.

A forma saudável de estar na vida passa por não esperar que tudo corra bem. É ter capacidade para suportar as coisas negativas que a vida nos trás (porque vão sempre existir coisas negativas), mas depois tentar resolvê-las e continuar em frente. A psicoterapia ajuda as pessoas a ganharem esta capacidade de enfrentar a realidade e criar estratégias para resolver os seus problemas. Ou melhor, desbloquearem em si esta capacidade que foi sendo inibida e amordaçada ao longo de anos (Depressão).

Veja também:

1ª Parte >>

2ª Parte >>

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Depressão Pós-Parto: Mito ou Realidade? (2ª Parte)

Colocado por Vasco Catarino Soares em May 4, 2010  |  2 Comentários

Depresssão reactiva ligeira: “Baby Blue”

O “Baby Blue”, terminologia utilizada precisamente para caracterizar um estado ligeiro de postura depressiva, ocorre como consequência de todas as mudanças operadas pela gravidez e nascimento do bebé. Este estado pode acontecer como reacção aos acontecimentos envolvidos nesta fase. Algumas questões se colocam à recém mamã: Conseguirei cuidar bem do meu bebé? Será que ele vai ser feliz? Também podem surgir algumas dúvidas quando à competência do pai da criança para apoiar nestes cuidados, que se estendem ao apoio a si própria. Mas todas estas dúvidas que levam a uma maior fragilidade devem ser encaradas como normais dada a situação de mudança radical que é a gravidez e o nascimento de uma criança. É verdade que a mulher sentirá que o seu estado psicológico é diferente do que habitualmente era, daí que cause uma sensação de maior fragilidade e Depressão. Mas também é verdade que esta reacção excepcional tem um pano de fundo que a motiva e justifica: circunstâncias também elas muito excepcionais (o nascimento de um filho = novas responsabilidades). Ora se na vida da recém mãe tudo mudou bastante, porque é que seria de esperar que no seu mundo psicológico não ocorresse, pelo menos, um pequeno “abalo”? É nesta perspectiva que devemos encarar o “Baby Blue”. Como uma reacção inicial natural a uma nova vida para a mulher. Com uma criança a seu cuidado, com uma relação conjugal para gerir, com expectativas de apoio por parte do pai da criança e com muito receio de que tudo isto falhe.

O Baby Blue é uma forma inicial de postura depressiva com uma duração aproximada de 1 a 2 meses. Já defendi aqui que seria uma reacção, que devemos encarar como normal, num período inicial, pois as mudanças na vida da recém mamã são realmente muito marcadas, mas com o passar do tempo e começando esta a organizar o seu dia-a-dia e a ultrapassar as dificuldades desta “nova vida”, os motivos para o humor mais depressivo deixam de existir, pelo menos na sua grande maioria, e deste modo o “Baby Blue” vai também desaparecendo, para dar lugar a uma postura mais positiva e adequada à realidade, encarando com mais confiança a sua vida e a relação com os outros.

-O que fazer?

A família e companheiro/marido podem e devem fornecer todo o suporte afectivo e ser compreensivos nesta fase. Ela é passageira, mas caso não exista este suporte, pode tornar-se em algo muito desorganizador para a mãe e bebé. Assim, deve a família agir com naturalidade, não criticando, mostrando que face a esta nova realidade é natural que surjam dúvidas, ajudando a mãe a cuidar do bebé, dando exemplos do que faziam (as mães destas mães). Basta que haja alguma compreensão e não crítica para que a mamãs se sintam apoiadas e consigam mover os seus recursos para o retorno à estabilidade.

A própria deve procurar estar com pessoas da sua confiança, que tenham uma atitude positiva e construtiva. Procurar estar com outras mulheres que tenham tido filhos recentemente e falar com elas sobre os seus medos. Actualmente, na internet é fácil encontrar foruns de discussão de grávidas e de recém mães.

E caso sintam que estão a ter dificuldade em ultrapassar a situação, podem recorrer à ajuda da psicologia.

Continua em “Depressão Pós-Parto. Mito ou Realidade (3ª Parte) >>


Começa em “Depressão Pós-Parto. Mito ou Realidade (1ª Parte) >>

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Depressão Pós-Parto: Mito ou Realidade? (1ª Parte)

Colocado por Vasco Catarino Soares em May 3, 2010  |  3 Comentários

Depressão Pós-Parto: Mito ou Realidade?

A gravidez, para além de todo o processo de alterações físicas e hormonais ademais conhecidas, é uma altura em que a mulher se prepara mentalmente para o nascimento do seu filho, o que é o equivalente a dizer que se processam nela alterações no seu equilíbrio psicológico prévio.

É no contexto dessas mudanças que podemos encontrar as razões para a emergência da já conhecida Depressão Pós Parto. Na actualidade, esta é uma preocupação dos profissionais da saúde em geral e mais especificamente dos psicólogos, pois são bem conhecidas as consequências destes períodos depressivos da mãe no Desenvolvimento da criança. Uma vez que esta está menos disponível para o seu filho (em tempo e dedicação voluntária) não conseguirá contribuir da melhor forma para o seu crescimento emocional. E nos caso mais dramáticos (felizmente não são a maioria), este período inicial determina um tipo de relação patológica e tóxica que vai passar a vigorar entre mãe e filho.

Contudo, o que explica que este tipo de afectação só surja em alguns casos? Nem todas as mulheres sofrem de Depressão pós parto (a maioria).

No entanto, quase todas as mulheres, após o nascimento do seu bebé, podem de uma forma ou outra sentir dúvidas e uma maior insegurança. Seja quanto ao seu papel de mãe. Seja em relação ao futuro da sua relação conjugal. Mas todo este estado que, utilizando uma linguagem de senso comum, podemos apelidar de depressivo, pode na realidade não ser uma “verdadeira” Depressão pós-parto.

Há então que distinguir entre uma normal e reactiva postura inicial de dúvidas sobre si própria e sobre o que a rodeia (Baby Blue) e um quadro depressivo mais intenso, a que chamamos Depressão Pós Parto.

Continua em “Depressão Pós-Parto. Mito ou Realidade (2ª Parte) >>

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Vaticano liga pedofilia à homossexualidade

Colocado por Vasco Catarino Soares em April 14, 2010  |  1 Comentário

Recentemente vieram a público declarações de desinformação acerca do que é a Pedofilia.

Vaticano liga pedofilia à homossexualidade > Internacional > TVI24.

“O número dois do Vaticano, Tarcisio Bertone, diz que a pedofilia está ligada à homossexualidade e não ao celibato. Declarações proferidas esta segunda-feira, durante uma visita ao Chile, numa tentativa de defender a Igreja Católica das denúncias sobre pedofilia e abusos de menores.” TVI 24 Por: Redacção /MM |  13-04-2010  08: 31

Uma manobra para “apagar” os erros da Igreja Católica, no que se refere à gestão (desastrosa) dos casos de pedofilia no seio desta instituição.

Querer associar a homossexualidade à pedofilia, atribuindo à primeira a causa da segunda, é um acto desesperado e desinformado (no mínimo). É certo que também não se pode colar o mesmo fenómeno ao celibato, pois a génese da pedofilia não tem que ser encontrada nem na necessidade sexual não satisfeita (Celibato), nem na homossexualidade (relacionamento com pessoa do mesmo sexo).

A Pedofilia tem como base o relacionamento sexual com alguém imaginado pelo pedófilo como seu inferior (alguém que não seja visto como mais capaz, mais forte, mais autónomo). A preferência obsessiva que o pedófilo tem por crianças e adolescentes situa-se neste particular: O pedófilo é alguém que não “consegue” (por imaturidade psicológica e afectiva) encarar a relação com alguém ao seu nível ou superior (tudo isto se passa no seu imaginário e pode não ter correspondência no real). Assim sendo, investe (de modo obsessivo) em relações em que se sente superior e dominador. Só deste modo se sente realizado na relação sexual. Do mesmo modo podemos dizer que um sado-masoquista só se realiza na relação quando esta envolve a característica dominador-dominado.

Por isso lhe é mais fácil abordar (e forçar) crianças. Porque neste seu “mundo” elas são consideradas o elo mais fraco. Na relação desigual que estabelece com as crianças e adolescentes o pedófilo exorciza os seus “fantasmas” de inferioridade.

É na imaturidade afectiva e psicológica que encontramos a génese da pedofilia. E não na homossexualidade ou celibato. Se existem homossexuais ou celibatários pedófilos? É provável. Como também existirão pedofilos heterossexuais.

A igreja enganou-se quando tentou ignorar e “lavar” a pedofilia que lhe assomava à porta. Continua a enganar-se quando a quer “encostar” à homossexualidade. E vai continuar a enganar-se enquanto não olhar para o fenómeno com olhos de quem quer encontrar a verdade.

A instituição igreja (tal como todas as instituições que envolvem grandes estruturas, que têm poder e possibilitam uma espécie de anonimato) são altamente atractivas para estes indivíduos, pois são corporativas (defendem à exaustão os seus membros) e como têm uma grande dimensão, levam a que os seus elementos manobrem relativamente livres de controlo. Outra característica dos pedófilos é precisamente a insegurança pessoal (mesmo que aparentem ser muitos seguros ou arrogantes) [Nota: A forma agressiva, arrogante e autoritária como muitas pessoas se apresentam, ocorre para mascarar as inseguranças pessoais que sentem]. Ora… nada mais confortante para um pedófilo do que uma instituição que lhe oferece esta segurança que tanto lhe falta no seu “mundo interno”. O poder que está associado a quem pertence a instituições deste género é um chamariz para todos estes tipos de personalidades inseguras (nem todas serão pedófilos). O poder que lhes permitirá apaziguar as angústias de fragilidade e desvalia (exercendo coacção sobre menores).

Mas os enganos não estão apenas na Igreja. A nossa sociedade tarda em querer saber verdadeiramente o que se passa…

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Um site interessante e Útil que encontrei

Colocado por Vasco Catarino Soares em June 24, 2009  |  0 Comentários

miudossegurosnanetEncontrei nas minhas incursões pela internet um site que me suscitou muito interesse. É o site www.miudossegurosna.net.

Como facilmente se conclui pelo nome e morada digital, o site aborda o tema, cada vez mais premente, da segurança das crianças e adolescentes quando “navegam na net”.

A questão da segurança nestas idades é particularmente sensível pelo facto de os próprios (crianças e adolescentes) não terem instrumentos e conhecimentos para serem autoreguladores do seu comportamento de internautas. Os perigos que este meio possibilita estão precisamente na facilidade em seduzir, aliciar e manipular estes usuários.

Por outro lado, muitos dos pais, mesmo com toda a vontade do mundo, querem ajudar os filhos e não conseguem, por falta de conhecimentos sobre estes meios de comunicação (social media). 

O site www.miudossegurosna.net existe para tentar judar os pais e educadores em geral, a tomar conhecimento da realidade (inegável) da internet e a aprofundar formas de estar nela com segurança.

Parafraseando o autor do site, Tito de Morais, trata-se de ”um projecto que ajuda Famílias, Escolas e Comunidades a promover a utilização responsável e segura das novas tecnologias de informação e comunicação por crianças e jovens”.  

Recomendo vivamente uma visita a www.miudossegurosna.net

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