Depressão Pós-Parto: Mito ou Realidade? (2ª Parte)

Colocado por em May 4, 2010

Depresssão reactiva ligeira: “Baby Blue”

O “Baby Blue”, terminologia utilizada precisamente para caracterizar um estado ligeiro de postura depressiva, ocorre como consequência de todas as mudanças operadas pela gravidez e nascimento do bebé. Este estado pode acontecer como reacção aos acontecimentos envolvidos nesta fase. Algumas questões se colocam à recém mamã: Conseguirei cuidar bem do meu bebé? Será que ele vai ser feliz? Também podem surgir algumas dúvidas quando à competência do pai da criança para apoiar nestes cuidados, que se estendem ao apoio a si própria. Mas todas estas dúvidas que levam a uma maior fragilidade devem ser encaradas como normais dada a situação de mudança radical que é a gravidez e o nascimento de uma criança. É verdade que a mulher sentirá que o seu estado psicológico é diferente do que habitualmente era, daí que cause uma sensação de maior fragilidade e Depressão. Mas também é verdade que esta reacção excepcional tem um pano de fundo que a motiva e justifica: circunstâncias também elas muito excepcionais (o nascimento de um filho = novas responsabilidades). Ora se na vida da recém mãe tudo mudou bastante, porque é que seria de esperar que no seu mundo psicológico não ocorresse, pelo menos, um pequeno “abalo”? É nesta perspectiva que devemos encarar o “Baby Blue”. Como uma reacção inicial natural a uma nova vida para a mulher. Com uma criança a seu cuidado, com uma relação conjugal para gerir, com expectativas de apoio por parte do pai da criança e com muito receio de que tudo isto falhe.

O Baby Blue é uma forma inicial de postura depressiva com uma duração aproximada de 1 a 2 meses. Já defendi aqui que seria uma reacção, que devemos encarar como normal, num período inicial, pois as mudanças na vida da recém mamã são realmente muito marcadas, mas com o passar do tempo e começando esta a organizar o seu dia-a-dia e a ultrapassar as dificuldades desta “nova vida”, os motivos para o humor mais depressivo deixam de existir, pelo menos na sua grande maioria, e deste modo o “Baby Blue” vai também desaparecendo, para dar lugar a uma postura mais positiva e adequada à realidade, encarando com mais confiança a sua vida e a relação com os outros.

-O que fazer?

A família e companheiro/marido podem e devem fornecer todo o suporte afectivo e ser compreensivos nesta fase. Ela é passageira, mas caso não exista este suporte, pode tornar-se em algo muito desorganizador para a mãe e bebé. Assim, deve a família agir com naturalidade, não criticando, mostrando que face a esta nova realidade é natural que surjam dúvidas, ajudando a mãe a cuidar do bebé, dando exemplos do que faziam (as mães destas mães). Basta que haja alguma compreensão e não crítica para que a mamãs se sintam apoiadas e consigam mover os seus recursos para o retorno à estabilidade.

A própria deve procurar estar com pessoas da sua confiança, que tenham uma atitude positiva e construtiva. Procurar estar com outras mulheres que tenham tido filhos recentemente e falar com elas sobre os seus medos. Actualmente, na internet é fácil encontrar foruns de discussão de grávidas e de recém mães.

E caso sintam que estão a ter dificuldade em ultrapassar a situação, podem recorrer à ajuda da psicologia.

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Este é o site Oficial de Vasco Catarino Soares. Psicólogo, Neuropsicólogo e Psicoterapeuta. O Dr. Vasco Catarino Soares é colaborador e entrevistado frequente em diversos meios de Comunicação Social e irá partilhar com todos os interessados essas suas colaborações. A sua experiência como psicoterapeuta facultou-lhe um seguro conhecimento dos mecanismos emocionais e comportamentais do ser humano. É esse conhecimento que vai aqui expor e partilhar com todos vós.

VASCO CATARINO SOARES ESCREVEU 52 ARTIGOS.

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Comentários (2)

 

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