Entrevista Revista Carteira sobre Desemprego/Emprego a Vasco Soares
Colocado por Vasco Catarino Soares em maio 2, 2009
ENTREVISTA PARA A REVISTA CARTEIRA TAL COMO FOI REALIZADA (Texto Bruto)
Perguntas: Revista Carteira.
Respostas: Dr. Vasco Catarino Soares :: Psicólogo
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1. Numa época de dura competitividade, que características devem apurar os colaboradores e candidatos a empregos?
Dado estarmos num paradigma de trabalho (e mais globalmente, em estilo de vida) que privilegia a rapidez e capacidade de adaptação à mudança, as características que um candidato a emprego deve melhorar ou desenvolver serão precisamente estas:
a) Ser desenvolto, rápido a executar as suas funções;
b) Deverá possuir autonomia, i. e., conseguir sozinho (tanto quanto o pode fazer na função que desempenha, pois algumas tarefas dependem do trabalho de outros colaboradores) executar o que lhe compete e conseguir ultrapassar obstáculos imprevistos. Uma característica que todo o empregador teme é o oposto do anterior: os colaboradores que ao primeiro obstáculo ou imprevisto ficam bloqueados e não desenvolvem trabalho, ficando à espera que os superiores hierárquicos lhe indiquem o que fazer.
c) Na óptica do paradigma de mudança, cada vez mais emergente, os colaboradores devem possuir esta capacidade de adaptação à mudança, pois tudo muda rapidamente. As empresas tem constantemente que mudar: novas áreas de negócio, novos métodos para executar tarefas, etc.
d) Mas conseguir adaptar-se à mudança pode não ser suficiente. Em determinadas empresas (pela especificidade do seu negócio), os colaboradores devem ir mais além: possuir capacidade de antecipar as futuras mudanças e , no limite, serem eles próprios criadores de mudança. Serem criativos.

2. Que estratégias devem os gestores/administradores tomar para não deixarem os colaboradores contagiar-se pelo clima geral de pessimismo e desconfiança dentro das empresas?
Uma das características bem conhecidas das ciências do comportamento (Psicologia) que são inerentes ao ser humano é a de que num determinado meio todos os seus agentes se influenciam mutuamente. Significa isto que, quando à nossa volta o tema de conversa entre colegas, as mensagens da comunicação social (que tem um impacto forte), as comunicações dos diversos agentes empresariais, são muito negativos e referem constantemente a dificuldade e a crise, as pessoas começam a acreditar (independentemente de ser verdade ou não) e começam a agir em acordo com isso.
A melhor forma de lidar com uma situação destas é ser honesto e dizer a verdade. Porque a verdade? A mentira é sempre descoberta, pois num caso destes não se consegue iludir as pessoas de que não há crise. Os colaboradores vão perceber. E ao ficar com receio, porque se lhes mentem é porque estão a esconder coisas piores (despedimentos) e o pânico instala-se na organização.
A verdade é melhor. Mesmo que as coisas não estejam bem, há de existir sempre qualquer coisa de positivo no meio de qualquer crise. E há de haver um caminho para sair dela. O mundo não vai acabar, as coisas vão voltar à normalidade. Se as empresas pararem aí sim as coisas piorarão cada vez mais. Dizer a verdade aos colaboradores e depois dizer o que se pode fazer para minorar ou até melhorar e aí investe-se num discurso positivo: “as coisas estão mal neste e naquele ponto, Mas para melhorar é preciso fazer isto e aquilo. Vamos a isto. E vamos conseguir.” Só há um caminho a seguir o que leva à melhoria. Ficar a “chorar sobre o leite derramado” não vai levar a lugar algum.

3. Como devem lidar as pessoas com formação específica com o facto de se verem obrigados a trabalhar em áreas distintas da sua formação?
Caso não possam deslocar-se para uma empresa que precise do trabalho especializado que dominam ou criar o seu próprio negócio (que seja viável), devem encarar como uma nova oportunidade trabalhar numa área distinta. Ainda que isto possa ser muito difícil.
Uma nova oportunidade para “ganhar” uma nova área de trabalho e formação específica. Muitos são os casos de pessoas que foram forçadas a deixar uma área que dominavam e após dedicação conseguiram nova especialização tornando-se ainda melhores do que na antiga área de especialização. Também há casos em que tal não aconteceu, mas provavelmente porque as pessoas ficaram “derrotadas” e não investiram numa nova aprendizagem.

4. Três ideias-chave para uma boa prestação nas entrevistas.
É sempre difícil aconselhar comportamentos para entrevistas. Isto acontece porque podemos estar a criar um problema ainda maior. Vejamos:
Imagine-se que a pessoa tem o tal comportamento desejado na entrevista (porque foi aconselhado) e a sua maneira de ser habitual nada tem que ver com o que apresentou na entrevista. É escolhido para colaborar com a empresa. No seu dia-a-dia na empresa ela não vai ser nada daquilo que mostrou ser na entrevista (porque fez o que lhe disseram que era melhor para a entrevista) o empregador vai ver que aquela pessoa não consegue desempenhar o seu trabalho (porque o trabalho requeria que a pessoa tivesse as características X, que o indivíduo não possui) e começa a querer livrar-se dele. O próprio indivíduo percebe que o seu trabalho não corre bem, os outros olham-no com pesar… Isto não é positivo para ninguém. Para a empresa significou uma perda de tempo e dinheiro. Para o indivíduo uma frustração além de ser dispensado ainda fica com a sensação de fracasso e inutilidade .
a)- Ser honesto. Compensa sempre, porque se for escolhido vai conseguir fazer o seu trabalho e os outros vão apreciar isso e o próprio vai se sentir útil e capaz.
Caso não seja escolhido é porque as características que possui não se adaptavam ao trabalho (ou porque não foi capaz de o demonstrar na entrevista). E assim é melhor não ter ficado com esse emprego, pois não iria ter lá um bom desempenho, com consequências negativas para o próprio.
b)- Ser claro e seguro no modo como fala da sua experiência. Discurso fluido, de quem sabe do que fala. Porque quando se quebra muito o discurso ou se hesita no que se vai dizer isso é visto como sinal de insegurança ou fraco domínio do assunto/trabalho.
c)- Não se limitar a responder ao que lhe perguntam. A partir do que lhe foi perguntado, desenvolva as suas respostas explicando os resultados que atingiu no seu anterior trabalho. Dê exemplos, pequenas histórias de trabalho (Atenção! muito breves). Fale de ideias que teve e foram implementadas (ignore as que não foram implementadas. Não é importante. Toda a gente sabe que para uma ideia válida há muitas mais que não resultam). Tudo isto mostra dinamismo, criatividade, e capacidade de adaptação à mudança. Afinal as características mais desejadas actualmente.

5. Quando alguém fica desempregado, que atitudes deve tomar, que postura deve ter para não se deixar levar pela frustração de ter perdido o emprego?
1- Fazer um balanço pessoal e íntimo. Rever o seu trabalho, as suas competências. As áreas que melhor domina e as que não domina. Quando tiver dúvidas sobre os seus desempenhos, perguntar a quem conhece o seu trabalho.
Este balanço vai permitir ter uma noção real (mais próximo possível do real) acerca de si como profissional. Isto é importante como ponto de partida para uma nova vida profissional.
2- Procure conhecer-se a si próprio muito bem: que características pessoais possui.
- É uma pessoa de objectivos ou um “maníaco” por trabalho físico?
- Gosta de liderar ou não lhe interessa isso e prefere fazer o seu trabalho?
- Gosta de trabalhar com pormenores ou prefere as grandes ideias?
Caso necessite, procure um psicólogo que o pode ajudar neste aspecto.
3- Procurar organizações, que estejam a recrutar e que necessitem das competências que sejam as suas e características pessoas que possua, e candidate-se a esse lugar. Irá estar muito mais seguro e com maior vantagem perante os outros candidatos (pelo menos em igualdade).
4- Pode, igualmente, em alternativa ao anterior, criar o seu próprio trabalho (sejam como prestador de serviços ou como empresa): mas invista em algo que posso aproveitar as suas competências e características pessoais ( não invista em qualquer coisa só porque parece que é um bom negócio). Só assim poderá ter uma boa performance e agradar aos seus clientes.






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