Gripe A. Mutações Sociais. Entrevista para a Revista Visão.

Colocado por Vasco Soares em August 30, 2009

O Regresso da Vénias.

MED003Para combater a escalada do vírus, os portugueses estão a alterar comportamentos.

Por: Vânia Fonseca Maia

Entrevista a Vasco Catarino Soares, Psicoterapeuta.

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Ao cruzar as portas do hotel Palace, em Lisboa, Maria João surge afável, cumprimentando os hospedes com… uma vénia. O pouco usual gesto de cortesia é o primeiro sinal de que o plano de prevenção da cadeia hoteleira já está em marcha. Fugir ao contacto físico é importante para controlar o contagio da gripe A. «Temos de fazer tudo para evitarmos ficar sem pessoal», afirma o director de Recursos Humanos, Jaime Morais Sarmento, 41 anos. Nem sempre é facil alterar os comportamentos. O psicoterapeuta Vasco Soares, 39 anos, acredita que o segredo é «fazer divulgação esclarecedora, repetidamente».

A avaliar pelos resultados do inquerito da Gripenet, apoiado pela fundação Calouste Gulbenkian, os portugueses estão bem informados. Quase 80% dos inquiridos dizem lavar agora as mãos com maior frequência. E os desinfectantes já são presença constante nas casas portuguesas.

A área da hotelaria é das mais vulneráveis e aos cuidados redobrados na higiéne juntam-se outras medidas de prevenção. No restaurante Adega da Marina, em Lagos, por exemplo, já faz parte da rotina tirar a temperatura antes de entrar ao serviço. Quem tiver febre, «ganha» uma folga.

A preocupação causada pela Gripe A originou também uma corrida às farmácias. O aumento das vendas de máscaras e desinfactantes ronda os 100% – mas a verdade é que, antes, não se vendiam. Contactadas pela VISÃO, algumas das principais farmácias de Lisboa são unânimes nas respostas: as pessoas fazem muitas perguntas, algumas procuram Tamiflu, julgando que é uma vacina… E todas querem máscaras, mas nem sempre se preocupam com a qualidade. As rupturas de stock levam a autênticos périplos pelos vários fornecedores. Os hipermercados do grupo SONAE, para responderem à procura, aumentaram as encomendas, e até criaram estantes especialmente dedicadas aos produtos de prevenção da gripe: álcool, luvas e máscaras. Internamente a empresa tem uma linha de apoio para os colaboradores tirarem dúvidas e entrega kits de prevenção aos trabalhadores que viajam para o estrangeiro.

No estudo da Gripenet, 59% dos inquiridos admitem evitar grandes concentrações de pessoas, quando chegar o Outono. Para combater a ansiedade provocada pela omnipresença do vírus, o psicoterapeuta Vasco Soares faz uma recomendação simples: «Informação. Aumenta o sentimento de domínio e de que se está a fazer tudo o que é possível» para evitar a doença. O alarme provocado pela gripe não cria, por si só, novos hipocondríacos ou comportamentos obsessivo-compulsivos. «Esse tipo de distúrbios são desenvolvidos desde a infância à idade adulta. Os indivíduos agora caracterizados comno obsessivos já o eram antes», esclarece. Mas a receita é a mesma para todos: racionalizar.



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Comentários (4)

 

  1. Eduardo says:

    Pode ser que depois das eleições e das caixinhas de TAMIFLU vendidas, esta gripe se torne menos “pandémica” e menos problemática!!!!

  2. Vasco Soares says:

    Pois isso já não sei. E são questões políticas.
    A minha participação é apenas a de psicólogo apolítico, que comenta de acordo com o conhecimento do comportamento humano.

  3. Eduardo says:

    O comportamento humano é altamente permeavel à pressão social, numa espécie de psicose em que já não se sabe o que é propaganda nem o que é realidade.
    Faz lembrar aquela experiência do S. Ash em que determinado indivíduo percebe que uma dada linha é mais curta do que as outras mas se conforma com a opinião do grupo (grupo este devidamente preparado pelo investigador) que afirma que essa mesma linha é mais comprida do que as outras… é apenas algo que se sabe do comportamento humano!!!

  4. Vasco Soares says:

    Tudo isso está muito correcto.
    Mas o artigo é apenas sobre que tipos de atitude e comportamento este tipo de anúncio (pandemia) pode provocar nos indivíduos.
    Não é sobre a veracidade ou interesses económico-políticos subjacentes.
    Não me foi perguntado se esta doença era verdade ou não (nem responderia a essa pergunta). Foi-me perguntado qual o impacto no comportamento do ser humano. E esse é o mesmo, independentemente de existir ou não a pandemia. Independentemente de ela ser verdade ou manipulada, seja por quem for.

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