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  • Mercado de Trabalho. Estratégias para Candidatos e Empregadores.

Mercado de Trabalho. Estratégias para Candidatos e Empregadores.

Setembro  2010 / 7 2 Comments

Este artigo é baseado numa entrevista que me foi solicitada para uma Revista de Economia “Revista Carteira” de Março de 2009.

 

1. Numa época de dura competitividade, que características devem apurar os colaboradores e candidatos a empregos?

Dado estarmos num paradigma de trabalho (e mais globalmente, em estilo de vida) que privilegia a rapidez e capacidade de adaptação à mudança, as características que um cadidato a emprego deve melhorar ou desenvolver serão precisamente estas:

a) Ser desenvolto, rápido a executar as suas funções;

b) Deverá possuir autonomia, i. e., conseguir sozinho (tanto quanto o pode fazer na função que desempenha, pois algumas tarefas dependem do trabalho de outros colaboradores) executar o que lhe compete e conseguir ultrapassar obstáculos imprevistos. Uma característica que todo o empregador teme é o oposto do anterior: os colaboradores que ao primeiro obstáculo ou imprevisto ficam bloqueados e não desenvolvem trabalho, ficando à espera que os superiores hierárquicos lhe indiquem o que fazer.

c) Na óptica do paradigma de mudança, cada vez mais emergente, os colaboradores devem possuir esta capacidade de adaptação à mudança, pois tudo muda rapidamente. As empresas tem constantemente que mudar: novas áreas de negócio, novos métodos para executar tarefas, etc.

d) Mas conseguir adaptar-se à mudança pode não ser suficiente. Em determinadas empresas (pela especificidade do seu negócio), os colaboradores devem ir mais além: possuir capacidade de antecipar as futuras mudanças e , no limite, serem eles próprios criadores de mudança. Serem criativos.


2. Que estratégias devem os gestores/administradores tomar para não deixarem os colaboradores contagiar-se pelo clima geral de pessimismo e desconfiança dentro das empresas?

Uma das características bem conhecidas das ciências do comportamento (Psicologia) que são inerentes ao ser humano é a de que num determinado meio todos os seus agentes se influenciam mutuamente. Significa isto que, quando à nossa volta o tema de conversa entre colegas, as mensagens da comunicação social (que tem um impacto forte), as comunicações dos diversos agentes empresariais, são muito negativos e referem constantemente a dificuldade e a crise, as pessoas começam a acreditar (independentemente de ser verdade ou não) e começam a agir em acordo com isso.

A melhor forma de lidar com uma situação destas é ser honesto e dizer a verdade. Porque a verdade? A mentira é sempre descoberta, pois num caso destes não se consegue iludir as pessoas de que não há crise. Os colaboradores vão perceber. E ao ficar com receio, porque se lhes mentem é porque estão a esconder coisas piores (despedimentos)  o pânico instala-se na organização.

A verdade é melhor. Mesmo que as coisas não estejam bem, há de existir sempre qualquer coisa de positivo no meio de qualquer crise. E há de haver um caminho para sair dela. O mundo não vai acabar, as coisas vão voltar à normalidade. Se as empresas pararem aí sim as coisas piorarão cada vez mais. Dizer a verdade aos colaboradores e depois dizer o que se pode fazer para minorar ou até melhorar. Optar por um discurso positivo: “as coisas estão mal neste e naquele ponto, Mas para melhorar é preciso fazer isto e aquilo. Vamos a isto. E vamos conseguir.” Só há um caminho a seguir o que leva à melhoria. Ficar a “chorar sobre o leite derramado” não vai levar a lugar algum.


3. Como devem lidar as pessoas com formação específica com o facto de se verem obrigados a trabalhar em áreas distintas da sua formação?

Caso não possam deslocar-se para uma empresa que precise do trabalho especializado que dominam ou criar o seu próprio negócio (que seja viável), devem encarar como uma nova oportunidade trabalhar numa área distinta. Ainda que isto possa ser muito difícil.

Uma nova oportunidade para “ganhar” uma nova área de trabalho e formação específica. Muitos são os casos de pessoas que foram forçadas a deixar uma área que dominavam e após dedicação conseguiram nova especialização tornando-se ainda melhores do que na antiga área de especialização. Também há casos em que tal não aconteceu, mas provavelmente porque as pessoas ficaram “derrotadas” e não investiram numa nova aprendizagem.

Façam comentários ecrescentem valor, contribuindo com a Vossa opinião e experiência pessoal.

Este é o site Oficial de Vasco Catarino Soares. Psicólogo, Neuropsicólogo e Psicoterapeuta. O Dr. Vasco Catarino Soares é colaborador e entrevistado frequente em diversos meios de Comunicação Social e irá partilhar com todos os interessados essas suas colaborações. A sua experiência como psicoterapeuta facultou-lhe um seguro conhecimento dos mecanismos emocionais e comportamentais do ser humano. É esse conhecimento que vai aqui partilhar consigo.


  • Cláudia Ribeiro says:
    Setembro 7, 2010 21:06 PM

    Reply

    Na realidade, é um pouco a mensagem que pretendo transmitir como professora e formadora de professores em formação inicial. As linhas são mesmo estas, tal como o Vasco refere:
    1. É preciso ser ‘deserrascado’, ou na óptica pedagógica, ser autónomo e para isso é necessário dotar os alunos de inúmeras ferramentas para no confronto com a dura realidade serem mais criativos, no sentido ‘schöniano’ (artistry), que é saber reagir em situações inesperadas.
    2. É fundamental a verdade e a transparência em tudo e sobre todos os aspectos! As pessoas têm o direito de saber com que linhas é que se estão a gerir.
    3. Optar por uma nova carreira! Porque não!? E até, trabalhar noutro país, já que existem outras possibilidades e novos desafios noutros países! Na realidade, este último ponto é, para mim, o mais complexo. No meu caso, sou apaixonada pelo que faço, mas encarar outras carreiras até seria interessante, pois sou curiosa por natureza e gosto de novos desafios! Mas ir viver para outro país, isso já´seria muito complicado, devido às raízes familiares! Mas, note-se, somente por já ter um filho! Porque se assim não fosse concerteza que já estaria a viver noutro país, já que o meu currículo serve para as universidades estrangeiras, mas não dá para as de cá! (Ainda há alguns lugares neste mundo onde o Tio C não reina…).
    Concluindo, estas camadas mais jovens têm de estar preparados para o incerto, inesperado e em vez de entrar em pânico com isso, devem ser suficientemente capazes de encontrar estratégias alternativas para superar situações problemáticas. O que é preciso é que eles cresçam a saber que a realidade é que a sociedade, no geral, lhes propicie momentos favoráveis de crescimento neste sentido…! Ui…, acho que meti o dedito na ferida…!
    PARABÉNS, Vasco! Excelente, como sempre:)

  • Obrigado pelo contributo Cláudia.

    É bem verdade que o “Tio C” continua a mandar por cá. Sem querer ser paternalista ou ingénuo ainda acredito que existam locais e pessoas que não são das relações do Tio C.
    Nas universidades? Passa muita coisa estranha. No mínimo.

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