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  • Sete etapas para derrotar as birras do seu filho :: Entrevista Jornal i

Sete etapas para derrotar as birras do seu filho :: Entrevista Jornal i

Julho  2010 / 2 5 Comments

Uma entrevista exclusiva a Vasco Catarino Soares para o Jornal i:
O psicoterapeuta Vasco Catarino Soares dá algumas pistas sobre como superar as birras quando estas já estão em fase mais avançada. Começar cedo a criar hábitos é a primeira etapa para evitar as teimas frequentes. A disciplina é importante, desde que aplicada com justiça e tendo em conta a fase de desenvolvimento da criança. No entanto, as regras só fazem sentido quando a relação é marcada pela afectividade. Amar, brincar e valorizar são as três premissas que todos os pais devem utilizar na sua relação com os filhos. E chantagear ou ameaçar a criança é o comportamento a evitar.

1.º passo Primeiro é preciso tempo. A criança precisa do confronto com o adulto para conhecer os seus limites e saber lidar com a frustração de não ter tudo aquilo que quer. E estas duas aquisições (resultantes das birras e do modo como são geridas) vão ser muito importantes para o seu desenvolvimento pessoal.

2.º passo É preciso fazer uma selecção das birras. A criança deve poder ganhar pequenas batalhas, como, por exemplo, escolher o livro que os pais lhe vão ler antes de ir para a cama ou comer uma banana em vez de morangos. Os educadores podem aceitar esse tipo de recusas ao mesmo tempo que procuram estimular a criança a argumentar sobre as razões da discórdia. Em contrapartida, há que ser firme face a tudo o que a ponha em perigo (andar de carro sem cadeirinha, mexer na gaveta dos talheres), que a prejudique (deitar-se tarde, comer demasiados doces ou usar sandálias no Inverno), e que a faça sentir-se a dona dos pais e da casa (dar pontapés à mãe durante a birra, exigir brinquedos, etc.).

3.º passo Não entrar em grandes explicações morais sobre a razão por que a criança não pode fazer o que quer, nem apelar aos seus sentimentos. Recorrer à frases como “olha que a mãe fica triste? só enerva mais a criança e dá-lhe mais espaço para aumentar a birra. O sentimento de culpa (sem razão) não desarma a génese do capricho e prejudica a formação do amor-próprio.

4.º passo Não ceder a meio de uma birra. Se os pais concluem que não devem fazer a vontade, não devem desistir, mas nunca confundir rigidez com agressividade. Os educadores podem até concluir mais tarde que deviam ter cedido, mas têm a possibilidade de o fazer numa próxima ocasião. Alterar as regras a meio da birra provoca uma grande ambivalência e dificulta à criança a apreensão das regras e dos limites.

5.º passo É igualmente importante demonstrar à criança que pode chorar (até faz bem), queixar-se e procurar consolo no seu colo ou com a ajuda de algum objecto de conforto. É fundamental que os adultos ajudem as crianças a acalmar–se. Não usar o choro para as diminuir: “És um mariquinhas” ou “olha o bebé chorão” são comentários desnecessários, que humilham o seu filho. O que se pretende é que a criança vá deixando de fazer birras. Com tempo e persistência, obtêm-se resultados.

6.º passo Depois de os ânimos serenarem, a criança deve ser valorizada por ter conseguido acalmar-se sem o seu desejo ter sido satisfeito.

7.º passo Nas birras em contexto escolar é fundamental que pais e educadores estejam de acordo. Em caso algum devem entrar em desacordo em frente da criança, pois esta vai tirar partido destas diferenças. Em situações extremas, em que os pais tenham a sensação de que já não controlam a situação, não hesitar em procurar apoio profissional.

Este é o site Oficial de Vasco Catarino Soares. Psicólogo, Neuropsicólogo e Psicoterapeuta. O Dr. Vasco Catarino Soares é colaborador e entrevistado frequente em diversos meios de Comunicação Social e irá partilhar com todos os interessados essas suas colaborações. A sua experiência como psicoterapeuta facultou-lhe um seguro conhecimento dos mecanismos emocionais e comportamentais do ser humano. É esse conhecimento que vai aqui partilhar consigo.


  • Isabel do Canto says:
    Setembro 14, 2010 14:21 PM

    Reply

    Obrigado pelo artigo. Contém dicas bastante lógicas. Já tinha lido alguns artigos mas nenhum estava tão organizado e claro.

    • É um artigo baseado na minha experiência enquanto clínico. É um breve resumo do que elaborei para uns ciclos de formação para infantários, nos quais também participei como formador.
      Fico satisfeito por ter encontrado utilidade no artigo.

  • Marisa Mestre says:
    Setembro 16, 2010 12:44 PM

    Reply

    Olá,

    Vi com atenção a entrevista que deu na Sic mulher e fiquei com bastante vontade de falar consigo.
    Tenho um filho com 27 meses que tem o tipo de comportamente que menciona no artigo acima. Quando contrariado dá pontapés, seja em quem for, a primeira reacção é levantar a mão, e faz tudo com o intuito de provocar. Não foge quando faz asneiras, fica parado a olhar-nos directamente à espera de uma reacção. Já tentei ignorar, dar uma palmada, um castigo, mas nada é levado a sério. Como agir com uma criança assim? Qual será a melhor maneira de o controlar?

    Obrigada

    • Boa Tarde Cara Marisa,

      No artigo tem boas indicações de como lidar com uma criança que faz birras (como bem parece ser o caso do seu filho).

      Saliento:
      – Os pais devem impedir os filhos de fazerem o que querem (quando tal é errado). Pode ser um confronto difícil. Pode demorar muito tempo. É necessária firmeza e coerência (nunca ceder, nem fazer umas vezes de uma forma e outras vezes de outra). Lembre-se este confronto só pode ser vencido pelos pais (são maiores, mais experiêntes, tem mais razão e noção do que é mau para a criança). Uma criança nunca pode ser mais forte que um adulto (não se trata de despotismo. Trata-se da saúde emocional e física do seu filho).

      – Não deve entrar em grandes explicações morais – deve antes afirmar que quem sabe e manda são os adultos – nem entrar em chantagens (do género: a mãe chora; a mãe fica doente; a mãe não gosta de ti – nunca entrar neste tipo de jogo porque se perde sempre, pois tudo isto é mentira: a mãe não fica doente, nem deixa de gostar do filho). A criança não deve fazer isto ou aquilo porque os pais dizem que não. Porque não é bom para as crianças. Manter sempre a posição. Não esquecer que, mesmo que não pareça, a criança precisa de posições firmes dos pais. Só assim ela pode sentir-se em segurança.
      Imagine que contratava alguém para lhe guardar a casa. Mas essa pessoa deixava entrar toda a gente, sem sequer se certificar que tal era seguro. Você confiaria nessa pessoa? Ou começava a achar que não lhe dava garantias de segurança? Pois é assim que se sente uma criança, que faz tudo o que quer. Sente que se consegue manipular os adultos que deviam ser a sua segurança (pais) eles não são garantia de a puderem proteger do perigo.

      – O seu filho chora e esperneia? Deixá-lo chorar. Não faz mal nenhum chorar. Permite à criança acalmar-se (depois do choro) e bem vistas as coisas é perfeitamente natural. Qual a criança que nunca chorou? Deve-se deixar as crianças chorar e dizer que ele pode chorar. Não digam: és um mariquinhas. Olha o bebé. Este tipo de frases irrita mais a criança e não vai ajudar a diminuir a birra.

      Caso tenha dificuldade em implementar estas atitudes aconselho a recorrer à ajuda da psicologia.
      Vou recomendar que visite esta clínica http://www.insight.pt

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